
O primeiro volante é quase a personificação do Gre-Nal. Muitas vezes um jogador que coloca a dedicação acima da técnica. Que não se furta de mostrar as travas da chuteiras. Que não sorri. No clássico de sábado (11), esta figura tarimbada em mais de século de história é ocupada, nos dois lados, por avalistas dos times de Inter e Grêmio. Villagra e Noriega são peças-chave para as ideias de Paulo Pezzolano e Luís Castro.
Anunciado em 21 de janeiro como novo jogador colorado, Villagra estreou quatro dias depois, no primeiro clássico do ano. Ainda sem o melhor preparo, não foi relacionado para algumas partidas para aprimorar o condicionamento. Quando voltou, não saiu mais do time.
— É um jogador agressivo, dá estabilidade ao meio-campo, é intenso. São características que procuramos na posição — antecipou Pezzolano antes da estreia do argentino.
As características se confirmaram. Os resultados mostram a estabilidade que a equipe ganha com sua presença. São 10 partidas, oito vitórias, um empate e uma derrota. Um aproveitamento acima da média colorada na temporada.
A precisão de seus passes (89%) estão acima da média do time (81,2%). É o segundo jogador da equipe com mais bolas longas por jogo, atrás de Bruno Gomes. Villagra também desarma o adversário, em média, quatro vezes por jogo.
Mudança de esquema
No outro lado, o peso de Noriega na equipe é tão grande que o desenho tático do Grêmio gira em torno de suas qualidades. Após tentar por jogos e jogos o time com uma dupla de volantes alinhados, Castro observou as características do nipo-peruano.
Noriega prefere atuar sozinho à frente da defesa. Fecha bem os espaços e tem bom passe para levar o time até a próxima fase de ataque. Com outro companheiro ao seu lado, seu jogo murcha.
A dupla de volantes se desfaz após o primeiro Gre-Nal do ano. A partir dali, o técnico português optou por um volante mais posicionado (Noriega) e dois meio-campistas mais à frente.
—Quando jogávamos com uma dupla de volantes, não conseguíamos ter coordenação. Muitas vezes, os dois volantes andavam na mesma zona do campo, e aí o adversário recuperava a bola no corredor central e encarava a nossa linha defensiva de frente, sem qualquer oposição — explicava.
O posicionamento o deixa como peça-central da engrenagem. É um dos principais passadores com time, com média de 53,7 passes por jogo. Sem a bola também é efetivo. São 4,6 roubadas de bola por partida.
Os meias que se cuidem no sábado. Noriega e Villagra estarão em campo.

