
Toda lenda do esporte tem uma grande atuação para jamais ser esquecida. No caso de Oscar Schmidt não é diferente. Quando perguntado sobre o momento mais marcante da carreira, a resposta do ídolo costumava coincidir com a lembrança viva na memória do povo brasileiro. Nesta sexta-feira (17), o ex-jogador morreu aos 68 anos. Ele estava internado em Santana do Parnaíba, no interior paulista, após apresentar um mal-estar.
Era 23 de agosto de 1987, o Brasil chegava para a final dos Jogos Pan-Americanos de Indianápolis como azarão. Do outro lado estava simplesmente a seleção americana que, mesmo sendo composta apenas por universitários, era o time a ser batido e dificilmente perdia seus jogos. Dentro dos Estados Unidos, então, isso nunca havia acontecido. Pelo menos até aquela decisão.
O Brasil chegou à final após cinco vitórias e apenas uma derrota para o Canadá. Surpreendeu o mundo e venceu a partida contra os donos da casa por 120 a 115. O confronto mudou o rumo do basquete americano e virou um marco para a modalidade.
O show de Oscar e companhia
Para fazer a diferença contra os Estados Unidos, a seleção brasileira apostou em uma regra recente para a época. A linha de três pontos havia sido instituída em 1984 nos jogos internacionais. Na NBA, ela já existia desde 1979, mas ainda não era explorada como estratégia para alterar o rumo do jogo.
Sob a “autorização” do técnico Ary Vidal, Oscar Schmidt e Marcel de Souza, outra estrela do time, passaram a abusar dos arremessos de três pontos. Naquela partida, por exemplo, foram 10 acertos em 25 tentativas — algo pouco comum para a época. O próprio Oscar Schmidt foi responsável por sete em 15 arremessos.
A confiança da equipe era tamanha que levou os brasileiros a provocarem os americanos, na quadra de defesa, a arriscarem arremessos de longa distância. O desempenho foi péssimo: apenas dois acertos em 11 tentativas.
Por mais que o Brasil tenha perdido os dois primeiros quartos por 68 a 54, a recuperação apareceu na segunda parte do jogo, quando Oscar e Marcel lideraram a virada histórica. Em todo o jogo, a dupla anotou 77 pontos, sendo 46 feitos por Oscar, 35 apenas no segundo tempo.
A atuação do craque brasileiro foi avassaladora. O destaque dos americanos, o pivô David Robinson, que fez história no San Antonio Spurs anos seguintes, anotou apenas 20 pontos e viu de camarote o show do brasileiro.
Oscar Schmidt encerrou a participação nos Jogos Pan-Americanos de 1987 com 249 pontos em sete jogos.
O impacto no basquete americano
De cara a vitória brasileira trouxe duas marcas negativas para o Estados Unidos na modalidade. Foi a primeira derrota dos americanos em casa e o primeiro jogo que sofreram mais de 100 pontos. Além disso, marcou o fim de uma sequência de 34 partidas de invencibilidade da seleção.
No ano seguinte, nas Olimpíadas de Seul, na Coreia do Sul, os americanos ficaram apenas com a medalha de bronze. O novo “vexame”, somado à derrota para o Brasil em 1987, fez com que a seleção americana passasse a utilizar seus melhores jogadores nas edições seguintes.
A exemplo disso, surgiu o Dream Team de 1992, campeão olímpico com sobra nas Olimpíadas de Barcelona.
Campanha do Brasil no Pan-Americano de 1987
- Brasil 110 x 79 Uruguai
- Brasil 100 x 99 Porto Rico
- Brasil 103 x 98 Ilhas Virgens
- Brasil 88 x 91 Canadá
- Brasil 131 x 84 Venezuela
- Brasil 137 x 116 México
- Brasil 120 x 115 Estados Unidos





