
Podia acontecer um apagão daqueles na noite de 7 de outubro de 1997 em Porto Alegre que aquela partida aconteceria. O brilho das estrelas de Oscar Schmidt e o norte-americano Magic Johnson teriam luzes suficientes para iluminar a quadra de basquete do Gigantinho, o gramado do Beira-Rio e do Olímpico.
O jogo de exibição ao lado de uma das maiores lendas do esporte mundial foi uma das tantas passagens marcantes de Oscar pelo Rio Grande do Sul. Morto aos 68 anos nesta sexta-feira (17), o Mão Santa teve naquela partida no ginásio colorado a sua noite mais festiva em solo gaúcho.
A partida foi a terceira de uma série de cinco disputadas no Brasil. De um lado o Oscar Schmidt's All Star. Do outro o Magic Johnson's All Star. No meio, uma torcida vidrada na bola laranja. Oscar teve 10 dos seus 11 companheiros no Pan de Indianápolis 1987 no seu time.
Alguns, como um mais rechonchudo Marcel, aposentados. Magic também tinha deixado as quadras e estava longe da melhor forma. Não era uma noite sobre esporte. Era uma noite sobre arte. No fim, vitória do time do americano por 102 a 99. Oscar e Johnson jogaram os 40 minutos da partida.
— Foi um evento muito bem organizado. Me chamou muito atenção como o Magic Johnson elogiou o Oscar, o carinho que ele demonstrava por ele. Elogiando ele como jogador e como pessoa, lembrando sempre que ele jogava com um sorriso no rosto o tempo inteiro. O aperto de mão deles foi uma imagem bem marcante — destaca o colunista de GZH Eduardo Gabardo, repórter da Bandeirantes naquela noite.
A entrevista coletiva foi um show a parte. Brincadeiras, risadas e elogios.
— Eu e todos nós, aqui no Brasil, temos de agradecer a presença de Magic em nosso meio. Ele tem muito amor para passar — vibrou Oscar.
Magic Johnson servia também como um combate contra o preconceito com pessoas portadoras do vírus da AIDS, contraído por ele em 1991.
Outros momentos de Oscar no RS
As outras passagens de Oscar pelo Rio Grande do Sul foram de festas somente para ele. No decorrer dos anos, disputou muitas partidas contra equipes gaúchas. Os principais confrontos diante do Corinthians, de Santa Cruz do Sul, uma das potencias do basquete brasileiro nos anos 1990.
Os 8 mil torcedores que abarrotaram o Ginásio Poliesportivo foram para casa sem dizer palavra em 6 de maio de 1996. No segundo jogo da final do Campeonato Brasileiro, o Corinthians-SP, de Oscar, venceu a batalha contra os gaúchos por 106 a 104, em uma partida emocionante.
O resultado (106 a 104) empatou a série melhor de cinco em um a um. Oscar, o cestinha, marcou 36 pontos. Restavam três jogos em São Paulo. Com a vitória do time de Oscar nos dois jogos seguintes, os paulistas comemoram o título.
Em 2002, se despediu dos gaúchos como jogador. Pelo Flamengo, encarou o Corinthians, em reencontro no Poliesportivo. Antes da partida, foi agraciado pela direção da equipe gaúcha com a placa de Cestinha do Brasil.


