Cinquenta metros, 100m, 200m podem parecer distâncias fáceis ou complicadas a depender de quem as percorre. As braçadas de Manuella Castoldi, nadadora de 12 anos, dentro da água mostram que elas podem ser leves e trazer diversão para quem quer que seja.
— Me sinto feliz. Meu sonho é de estar na piscina. É um talento para mim. Todo mundo fica orgulhoso de mim. Eu choro de emoção de estar conquistando coisas — contou com um sorriso gigante à Zero Hora.
A história pode parecer apenas mais uma de uma jovem talentosa que busca seu espaço em uma modalidade olímpica. E isso não deixa de ser verdade, mas com um detalhe. Caçula de outros quatro irmãos, Manu, como é conhecida na família, tem síndrome de Down e encontrou na natação uma forma de se desenvolver. Aos 10 anos, encontrou nas piscinas e na Associação Esporte Mais um lugar para ser quem ela é.
— Como mãe, a entrada da Manuella na natação e no esporte foi um momento muito especial para nossa família. No início, buscamos a natação principalmente pelos benefícios para a saúde, coordenação motora e desenvolvimento dela. Aos poucos, fomos percebendo o quanto o esporte fazia bem não só fisicamente, mas também para a autoestima, autonomia e confiança dela — ressaltou a mãe da jovem, Ane Castoldi.
O esforço da menina de 12 anos tem rendido frutos. No fim de março, conquistou quatro medalhas no Campeonato Brasileiro de Natação promovido pela Confederação Brasileira de Desportos para Deficientes Intelectuais. Em sua curta carreira, soma 28 medalhas.
— Cada conquista, por menor que parecesse no começo, tinha um significado enorme para nós. Ver ela evoluindo, criando disciplina, fazendo amizades e se sentindo capaz foi emocionante. O esporte abriu portas, trouxe oportunidades e mostrou para todos nós que, com incentivo, dedicação e amor, ela pode ir muito além do que imaginávamos — complementa a mãe.
Os resultados são fruto do esforço e de uma rotina milimetricamente planejada, como Manu conta:
— Eu acordo 6h15min para tomar meu banho. Aí, vou para a escola. Termino e venho para cá. 13h30min tenho que estar dentro da piscina. Acabando aqui, treino na academia. Faço natação três vezes por semana. Crawl, costas, borboleta e peito, mas na competição só faço os dois primeiros.
As primeiras braçadas já levaram a menina ao pódio em nível nacional. Mas o sonho da jovem nadadora de Nova Santa Rita é ainda maior. A distância extrapola os limites da piscina e chega à Paralimpíada. Quem sabe, um dia, Manu repita Maria Carolina Santiago, Daniel Dias e tantos outros paratletas que trouxeram uma medalha paralímpica para o Brasil.




