
O basquete brasileiro perdeu nesta sexta-feira (17) um dos seus maiores ícones. Oscar Daniel Bezerra Schmidt, o Mão Santa, morreu após sofrer mal-estar e ser internado no Hospital e Maternidade Municipal Santa Ana, em Santana do Parnaíba, interior de São Paulo.
Um dos maiores pontuares da história do basquete Mundial, Oscar teve uma carreira tão longeva quanto emocionante. Anotou seus primeiros pontos em 1975. A última cesta foi marcada em 2003.
A seguir, Zero Hora selecionou sete momentos marcantes da carreira de Oscar.
Ouro pan-americano em 1987

Vencer os Estados Unidos no basquete é para poucos. Bater os americanos na casa deles pela primeira vez foi um feito realizado apenas por 12 homens. Entre eles Oscar.
Junto com Marcel, ele comandou uma vitória histórica na final dos Jogos Pan-Americanos de 1987. Placar final 120 a 115 para o time comandado por Ary Vidal. Os americanos nunca tinham levado mais de 100 pontos.
A precisão da mão santa de Oscar foi essencial. Ele marcou 46 pontos, 21 deles em cestas de três.
Aquele partida mudou os rumos do basquete. Os Estados Unidos pressionaram para que os atletas da NBA disputassem os Jogos Olímpicos.
Não à NBA
Em meio a nomes que marcariam a história da NBA, Oscar foi um dos jogadores selecionados no draft de 1984. Ele foi selecionado na sexta rodada de escolhas pelo New Jersey Nets.
À época, atletas profissionais eram proibidos de disputar os Jogos Olímpicos. Entre defender o Brasil e jogar entre as estrelas do basquete, o camisa 14 optou por defender o país.
Gigantes como Akeem Olajuwon, Michael Jordan e Charles Barkley estavam entre os escolhidos que se tornaram ícone da modalidade.
Cestinha nos Jogos Olímpicos
Nunca se diz nunca no esporte, mas é possível que um dos recordes de Oscar nunca seja batido. Em cinco participações nos Jogos Olímpicos, ele anotou 1.093 pontos.
Os números olímpicos não param por aí. Em três edições, foi o cestinha. Em Seul-1988, marcou 55 pontos contra a Espanha. Marca ainda por ser batida nos Jogos.
Campeão mundial de basquete
Ainda no início da carreira, com 21 anos, Oscar colocou, pela primeira vez, o seu nome na história do basquete. Participou da equipe do Sírio campeã Mundial de Basquete em 1979.
O torneio disputado em São Paulo também contou com a participação do Bosna (da antiga Iugoslávia), Piratas (Porto Rico), Mo-Kan All-Stars (Estados Unidos) e Emerson Varese (Itália).
O Brasil voltou a ter um clube campeão apenas em 2014, com o Flamengo. Os cariocas voltaram a vencer em 2022. No ano seguinte, o título foi conquistado pelo Franca.
Recorde de pontos
Por anos, não teve Magic Johnson, Larry Bird, Michael Jordan ou qualquer outro gênio do basquete capaz de fazer o que Oscar fez. Foram 49.973 pontos na carreira. Um recorde quebrado apenas por LeBron James em 2024.
Jogo com o filho
Na reta final da carreira, Oscar realizou o sonho de jogador ao lado do filho Felipe. Em 2002, aos 44 anos, Oscar defendia o Flamengo.
Em 2002, Oscar tinha 44 anos e mesmo na reta final de carreira, quis ficar em quadra até pelo menos jogar com seu filho mais velho, que na época estava com 16 anos. O garoto ainda marcou alguns pontos, levando o pai às lágrimas. Porém, ele não seguiu a carreira no basquete.
A despedida
A aposentadoria de Oscar era para ter sido em em 2002. Mas a partida entre Flamengo e COC terminou em confusão. O time de Ribeirão Preto venceu por 84 a 78 e eliminou a equipe carioca do Campeonato Brasileiro.
Oscar e seus companheiros deixaram a quadra antes do fim do jogo. Após a partida, disse que iria repensar a aposentadoria para não deixar o esporte desta maneira. Voltou no ano seguinte.
A longeva careira terminou no ano seguinte, aos 45 anos. Sua última partida foi na derrota do Flamengo para o Minas por 101 a 89.





