
Paulo Pezzolano e Luís Castro, mesmo há menos de quatro meses em Porto Alegre, já têm Gre-Nais para chamar de seus. O colorado venceu seu primeiro jogo contra o Grêmio por um 4 a 2 há tanto ansiado pela torcida. O gremista deu a resposta imediata depois do revés e, com um 3 a 0, praticamente encaminhou o título gaúcho. No sábado (11), eles se reencontram e veem no clássico a chance para consolidar trabalho. Ou o risco de pôr tudo a perder, mais uma vez.
Há quem diga que foi graças àquele Gre-Nal de 4 a 2 que Pezzolano atravessou pelo Z-4, com direito a lanterna, sem ficar tão pressionado. Nem mesmo a perda do título estadual abalou tanto sua permanência. O uruguaio, acostumado com a rivalidade de dois times em um lugar só, entendeu o tamanho do clássico.
A ponto de, por exemplo, mudar de postura. Antes da final do Gauchão, em uma espécie de transferência de responsabilidade, ironia e alerta, disse que o favorito era o Grêmio, por conta dos investimentos. Por mais que tenha tentado chamar a atenção, teve um efeito ruim, ainda mais com o resultado, de uma espécie de "diminuição" do time. Agora, trocou o discurso, mesmo que corra riscos:
— No Brasileirão, pela história, o Inter tem mais vitórias. E jogamos em casa. Somos nós os favoritos — disse.
Do outro lado, Luís Castro teve muito o que explicar depois daquele primeiro Gre-Nal. Até que vencesse a partida de ida da final do Gauchão, em toda entrevista precisava responder sobre o 4 a 2. Era um carimbo em seu trabalho.
Até que veio o 3 a 0. Com ele, a tranquilidade. Mais até do que o título. Tivesse ele vencido o Gauchão, mesmo que dentro do Beira-Rio, com dois empates, por exemplo, e talvez estivesse em situação pior do que a atual. A equipe teve apenas uma vitória nos sete jogos que disputou após a decisão do Estadual. Uma sequência ruim assim costuma derrubar treinador no futebol brasileiro. Claro, não fosse o 3 a 0.
Sua missão é retomar um caminho que até apareceu antes das finais do Gauchão e em algumas rodadas do Brasileirão. Já sabe que a questão mental é fundamental para isso. Ele declarou, após perder para o Montevideo City Torque, pela Copa Sul-Americana:
— Não temos dúvidas nenhumas que a equipe regrediu nos últimos dois jogos. Através dessa desconfiança que incorporou, não conseguiu voltar a ter os princípios que tinha. Nós tínhamos estabilizado defensivamente, tido dinâmicas de ataque em que aproveitávamos bem os espaços dos adversários. Agora não conseguimos fazer isso com a eficácia tínhamos antes — disse.
Os dois treinadores usarão a sexta-feira (10) para os últimos ajustes nas equipes. O Grêmio com mais necessidade do que o Inter. Ambos com o fôlego dos Gre-Nais passados. E os riscos do futuro pós-clássico.
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