
O primeiro escolhido do draft da NFL carrega um peso grande na carreira. A expectativa é alta, pois o jovem jogador tem a missão de mudar o futuro de uma franquia.
Noventa atletas já passaram por isso e, nesta quinta-feira (23), a partir das 22h (horário de Brasília), mais um será o primeiro escolhido. O draft 2026 será realizado em Pittsburgh, nos EUA, e o quarterback Fernando Mendoza tem tudo para ser o primeiro selecionado.
Com o passar dos anos, cada vez mais quarterbacks foram visados nessa posição. Nos últimos três recrutamentos, foram QB's os primeiros selecionados: Bryce Young (2023), Caleb Williams (2024) e Cam Ward (2025).
Existem casos de sucesso e outros de fracasso, que geram lições para a equipe que fez a escolha. Peyton Manning, em 1998, talvez seja um dos mais bem sucedidos. O quarterback foi recrutado pelo Indianapolis Colts, venceu dois Super Bowls — o segundo pelo Denver Boncos — e foi eleito MVP da NFL cinco vezes.
Uma troca que mudou a história
No draft de 2004, Eli Manning foi o primeiro escolhido, pelo San Diego Chargers. No entanto, o quarterback manifestou que não queria jogar pela franquia. Portanto, uma troca foi realizada com o New York Giants, que enviaram Philip Rivers — quarto escolhido daquele ano — e picks futuras.
No fim das contas, ambos os quarterbacks tiveram sucesso na NFL, mas de formas distintas. Manning venceu dois Super Bowls pelos Giants, enquanto Rivers teve bons momentos, mas nunca foi campeão.
Os quase sucessos
Há casos também de jogadores talentosos, mas que ao longo da carreira não deram certo por motivos diversos. Michael Vick foi o primeiro escolhido em 2001, pelo Atlanta Falcons. Um quarterback que se destacava pela mobilidade e chocou a NFL inicialmente.
Ele tinha tudo para ter uma carreira de sucesso, mas em 2007 foi preso por um caso de luta de cães. Foram 21 meses na cadeia e mais dois em prisão domiciliar. Vick até voltou aos gramados, mas longe do sucesso inicial da carreira.
Em 2012, os Colts, que haviam perdido recentemente Peyton Manning, tiveram uma nova oportunidade de selecionar primeiro no draft. O escolhido foi Andrew Luck, considerado um dos mais promissores quarterbacks vindo do futebol americano universitário.
O início foi empolgante e os Colts estavam no caminho certo para voltar a vencer. Porém, diversas lesões prejudicaram a carreira de Luck, que se aposentou aos 29 anos, em 2018, por não ter mais condições de jogar.
Troca entre primeiras escolhas
Uma das histórias mais marcantes envolvendo primeiras escolhas envolve dois quarterbacks, selecionados em momentos distintos. Em 2009, Matthew Stafford foi a pick do Detroit Lions, que vinha de uma temporada de 16 derrotas e nenhuma vitória.
O quarterback chegou e foi mudando a cara da franquia, mas sempre faltava ajuda para ele levar os Lions adiante.
No draft de 2016, Jard Goff foi selecionado pelo Los Angeles Rams, com grandes expectativas, que quase se cumpriram em 2019, quando a equipe chegou ao Super Bowl, mas foi derrotada pelos Patriots.
A derrota na decisão da NFL e um ano seguinte sem sucesso motivaram os Rams a buscar uma troca. Em 2021, Stafford foi para Los Angeles e Goff foi para Detroit. Os Lions ainda receberam escolhas de draft pela negociação.
Com um time competitivo e um quarterback pronto para vencer, os Rams conquistaram o Super Bowl em 2022. A troca deu muito certo para a franquia de LA, pois Stafford segue atuando em alto nível, visto que foi eleito o MVP da última temporada.
O negócio, contudo, também vem sendo positivo para Detroit, que conseguiu arrumar o elenco e tem confiança em Goff para liderar a franquia em um título no futuro.
Os principais erros
O termo "bust" nos esportes americanos tem um significado grande no draft. É quando uma escolha alta — geralmente a primeira — não dá certo. Na NFL, isso já ocorreu em diversos momentos.
Tim Couch, em 1999, foi selecionado pelo Cleveland Browns. O quarterback teve cinco anos na Liga e terminou a carreira com 64 touchdowns lançados e 67 interceptações. Um fracasso total.
David Carr, em 2002, foi a primeira escolha do draft e do Houston Texans, que estava ingressando na NFL. Em seu ano de estreia, o quarterback sofreu 76 sacks, um recorde na história da Liga.
Ele sofreu com lesões e não desempenhou como esperado, tornando-se reserva de outras franquias após cinco anos como titular, acumulando mais erros do que acertos. Em 2011, ao menos, esteve no elenco campeão do Super Bowl pelos Giants, sendo reserva de Eli Manning.
O maior bust de todos é JaMarcus Russell. Selecionado em 2007 pelo Oakland Raiders, ele teve oportunidades, mas não desempenhou bem, com muitos erros cometidos e claramente sem condições de estar na NFL.
Após três temporadas, sete vitórias e 18 derrotas, Russell foi dispensado pelos Raiders e não ganhou mais oportunidades em nenhuma outra equipe. Prisões por posse de drogas e falta de talento foram motivos alegados por outras franquias para não contratá-lo.
