
Personagem muito lembrado no futebol gaúcho, Argel Fuchs tem um novo desafio. Após um ano e três meses da sua saída do Paraná, o treinador volta a assumir uma equipe. O São José foi o escolhido por unir elementos essenciais para o gaúcho de Santa Rosa neste momento: a proximidade com a família, o bom ambiente de trabalho e a vontade de vencer.
Após a saída de Gabardo Júnior, que assumiu o Ypiranga, o time da Capital agiu rápido e anunciou o treinador. Argel disse que aceitou o convite por conta da amizade que tem com o presidente Ênio Gomes de Campos. Outro fator foi a organização atual do clube que, segundo ele, tem uma ótima estrutura de trabalho e salários em dia para todos os setores.
— Em todos os clubes que eu trabalhei, os presidentes que ligaram para mim. E sempre me ligaram em uma hora ruim, em uma hora difícil. E eu gosto de chegar assim. Eu não sou engenheiro de obra pronta. Eu gosto de chegar, construir tijolinho por tijolinho — comentou Argel.
O São José vem de três derrotas na largada da Série D do Campeonato Brasileiro. É o lanterna do Grupo H, o único dos seis clubes que ainda não pontuou na competição. Neste sábado (25), às 18h, Argel Fuchs irá estrear no comando da equipe contra o Brasil de Pelotas, pela quarta rodada, no Passo D'Areia, em Porto Alegre.
Será a oportunidade do torcedor do Zeca rever o treinador 16 anos após a primeira passagem pelo clube.
Um ano parado
Campeão estadual por Inter, Figueirense e Vitória, Argel costumava receber propostas de times de diferentes regiões do Brasil. Contudo, resolveu ficar com a família no último ano em função da perda do sogro. Ao aceitar o convite do São José, ele ainda consegue ficar próximo dos familiares e volta a ter a rotina do futebol, que, querendo ou não, deixou saudades.
— É uma cachaça que está no meu sangue, não adianta. Por mais que você tenha a sua vida realizada financeiramente, a vida tá tranquila, mas cabeça parada é oficina do diabo. Essa é a grande verdade. Então, você precisa ter alguma coisa para fazer — destacou Argel, que sentiu falta da adrenalina do esporte.
O retorno ao São José
Em 2010, Argel Fuchs tinha apenas dois anos como técnico, mas foi o suficiente para um bom trabalho no time porto-alegrense. A equipe terminou o Gauchão na quarta colocação e garantiu vaga na Série D. O momento mais marcante da passagem é claro para ele:
— O carro-chefe naquele campeonato foi o jogo contra o Internacional, porque dois meses depois o Inter foi campeão da Libertadores com o mesmo time.
Na quinta rodada do segundo turno, o São José venceu o Inter por 3 a 0, no Passo D'Areia. A partida marcou a estreia como profissional de Tiago Volpi, que entrou após o titular Rafael sair lesionado. Também houve a discussão entre Argel e D'Alessandro, que culminou na expulsão do técnico.
— Naquele momento, a gente queria desestabilizar o Internacional e sabia que o único jogador que podia desequilibrar o jogo era o D'Alessandro. A gente cutucou ele, porque sabia que ele era pavio curto, e deixamos a equipe do Inter perturbada — lembra o treinador, que admitiu a estratégia para desestabilizar o camisa 10 colorado.

Entre 2015 e 2016, os dois trabalharam juntos no Inter e criaram uma amizade que segue até hoje. Argel conta que já sentiu à vontade com o argentino no primeiro dia como técnico no clube:
— Eu senti no dia que eu saí do Figueirense e vim trabalhar no Inter. Ele me recebeu de braços abertos, veio na minha sala e brincou comigo: "profe, agora vamos brigar com os outros". E eu respondi: "sim, agora é com os outros" (risos).
Planos para o futuro
Com uma carreira consolidada como zagueiro e com passagem por times tradicionais como treinador, Argel não esconde que se sente realizado no geral. Mesmo assim, garante que ainda tem muita vontade de ser campeão e de realizar bons trabalhos como treinador.
— A experiência é muito maior. A idade também, já estou com 52 anos. Mas estou com a mesma fome, com a mesma motivação de sempre. Eu nunca olhei divisão — contou.
Sobre o futuro, ele afirma que trabalhará como treinador até os 60 anos. No São José, o plano é construir uma equipe forte e ter um trabalho duradouro.
— A minha intenção é fazer a Série D do Campeonato Brasileiro, fazer o Gauchão. A minha intenção é ficar bastante tempo. Aqui estou perto de casa, perto da minha família. Estou em lugar legal, um clube legal — concluiu.
Com a vida ganha ou não, Argel Fuchs não consegue ficar muito longe do futebol, o que é natural para alguém que entregou mais da metade da vida para o esporte. O objetivo da vez é classificar o São José para a Série C e seguir com a mesma intensidade dos tempos de jogador à beira do gramado.
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