
O argentino Francisco "Pancho" Guaragna lidera o Campenato Sul-Centro Americano de Vela, da classe Ilca 7, que está sendo realizado na Raia do Veleiros do Sul, em Porto Alegre.
Após seis regatas disputadas, com duas vitórias, um terceiro e dois quinto lugares, ele soma um total de 15 pontos perdidos, já computado o descarte de seu pior desempenho, um 10º lugar e é favorito ao título, já que está com 10 pontos de vantagem para o peruano Renzo Sanguineti e 12 para o brasileiro Gustavo Kiessling, que estão em segundo e terceiro, respectivamente.
Experiente, aos 29 anos, e com duas participações em Jogos Olímpicos, Tóquio-2020 e Paris-2024, Pancho concedeu entrevista para Zero Hora.
Confira a entrevista

O que significa pra você competir aqui em Porto Alegre?
É muito especial. Meu primeiro Sul-Americano, 10 anos atrás, foi aqui. Agora mais experiente, dois Jogos Olímpicos depois. Muito feliz em voltar a Porto Alegre, um lugar muito bonito. Meu objetivo é poder voltar pra casa com o título de campeão.
Você está na terceira campanha olímpica. O quanto esse Sul-Americano impacta nela?
Esse campeonato é qualificatório (conta pontos) para os Jogos Sul-Americanos em setembro e também é parte da preparação para a temporada na Europa, do circuito olímpico. Então tem a pressão pra fazer um bom campeonato. Mas quero aproveitar, o dia a dia, de forma linda, tenho 29 anos, não sou mais aquele menino de 10 anos atrás. Estou numa etapa da minha carreira, onde penso só no esportivo, até porque um dia isso (carreira) acaba e tenho que disfrutar (aproveitar).
Como você se vê sendo também inspiração para mais jovens, aqui no campeonato e em seu país?
Eu sei que é uma bonita responsabilidade. Eu tenho que dar exemplo na água e fora. Mas eu trato de ser eu (mesmo), natural. Eu procuro tratar todos da mesma maneira, com educação, atenção, quando se aproximam e perguntam, trato de acompanhar o processo, ajudar a todos.

Quando eu era jovem, não existia muito disso, era outra geração. Não existia esse contato com os mais experientes, os olímpicos. Hoje com redes sociais, temos mais conexão. Eu sempre trato de estar próximo dos jovens, porque é muito importante para promover o esporte. É algo que vivo naturalmente.
Quais as maiores dificuldades para um velejador da América do Sul no cenário mundial?
Requer muito sacrifício porque para os velejadores sul-americanos, o núcleo das competições está na Europa. No meu caso, após o campeonato aqui (Porto Alegre) eu viajo pra Europa e só retorno para a Argentina em setembro. Não tem como ir e voltar pelos custos. Então ficamos longe da família, de amigos, perdemos eventos sociais.
Mas quando se tem um sonho grande e eu quero ganhar uma medalha olímpica na minha terceira campanha. Quando isso é claro, todos os sacrifícios valem a pena. Porque nada é fácil. Temos que trabalhar para conquistar e com o tempo vamos aprendendo que essa é a chave.
O Centro Sul-Americano de Vela
O Campeonato Centro Sul-Americano de Vela prossegue nesta sexta-feira (6), com mais três regatas.
A competição deve encerrar no sábado (7), mas dependerá das condições climáticas, já que o Rio Grande do Sul vive o alerta da formação de um novo ciclone extratropical no oceano e o avanço de uma frente fria pelo Sul do Brasil.
Caso o tempo não permita, os resultados válidos serão os das regatas finalizadas até esta sexta-feira.


