O presidente da Fifa, Gianni Infantino, afirmou nesta quarta-feira (11) que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prometeu durante uma conversa na terça-feira que receberá sem obstáculos a seleção do Irã na Copa do Mundo de 2026, que será disputada na América do Norte.
Infantino mencionou pela primeira vez "a situação no Irã", sem explicar se a incerteza a respeito da participação da seleção no torneio (11 de junho a 19 de julho) era motivada pelos ataques americanos e israelenses de 28 de fevereiro contra o país, que desencadearam uma guerra no Oriente Médio.
"Durante nossa conversa, o presidente Trump reiterou que a seleção iraniana é bem-vinda, sem dúvida, para disputar o torneio nos Estados Unidos", que organiza o Mundial com México e Canadá, escreveu o dirigente em sua conta no Instagram.
Os termos da conversa entre Trump e Infantino foram posteriormente confirmados pela Casa Branca.
Horas antes da publicação do presidente da Fifa, o ministro dos Esportes do Irã, Ahmad Doyanmali, voltou a colocar em dúvida a participação de seu país.
"Sabendo que este governo corrupto assassinou nosso líder, as condições não são adequadas para participar da Copa do Mundo. Nossos jovens [os jogadores da seleção nacional] não estão nada seguros", declarou Doyanmali na televisão iraniana.
"Dadas as ações prejudiciais que eles [os Estados Unidos] tomaram contra o Irã, impondo a nós duas guerras em oito ou nove meses e causando a morte de milhares de nossos compatriotas, é impossível para nós participarmos deste torneio", acrescentou o ministro.
- Ameaça de boicote -
Poucas horas após o início da ofensiva, o presidente da Federação de Futebol do Irã (FFIRI), Mehdi Taj, mencionou a hipótese de um boicote à competição, mas explicou que a palavra final corresponderia às "autoridades esportivas" do país.
"Esses eventos não ficarão sem resposta (...). Mas o que é certo neste momento é que, com este ataque e esta crueldade, não podemos ter esperança de participar da Copa do Mundo", disse o dirigente na televisão iraniana na ocasião. "Quem em sã consciência enviaria sua seleção nacional para um lugar como esse?", acrescentou.
Três dias depois, em entrevista, Trump respondeu, quando questionado sobre a participação da seleção iraniana no Mundial: "Não me importo nem um pouco. Acho que o Irã é um país duramente derrotado. Estão no limite de suas forças".
Alguns analistas também mencionaram a possibilidade de que o governo dos Estados Unidos se negasse a receber os iranianos por razões de segurança, já que as três partidas do Irã na fase de grupos estão programadas para Los Angeles e Seattle, duas grandes cidades do país.
"Todos nós precisamos, mais do que nunca, de um evento como a Copa do Mundo para unir as pessoas, e agradeço sinceramente ao presidente dos Estados Unidos por seu apoio, porque demonstra mais uma vez que o futebol une o mundo", insistiu Infantino.
O presidente da Fifa, único dirigente esportivo que compareceu à cerimônia de posse de Trump, demonstra regularmente sua proximidade com o mandatário americano. No ano passado, Infantino entregou ao presidente americano um "Prêmio Fifa da Paz", cujos critérios nunca foram revelados.
- Asilo na Austrália -
Se o Irã não participar da maior competição do futebol mundial, será a primeira vez que isso acontece desde que França e Índia desistiram da Copa de 1950, disputada no Brasil.
Na semana passada, a seleção feminina do Irã participou da Copa da Ásia, na Austrália. Após a eliminação da equipe no torneio, várias jogadoras pediram asilo ao país da Oceania - a televisão estatal iraniana criticou as atletas por não cantarem o hino antes de uma das partidas disputadas.
Cinco jogadoras, incluindo a capitã Zahra Ghanbari, fugiram do hotel da seleção e pediram asilo às autoridades australianas, anunciou o governo do país.
Segundo a imprensa local, pelo menos outras duas integrantes da equipe também solicitaram permanência no país, mas o ministro do Interior da Austrália, Tony Burke, afirmou que uma delas mudou de ideia.
No Parlamento australiano, Burke disse ter sido informado que uma integrante da delegação "havia conversado com algumas das colegas de equipe que deixaram o país e mudou de ideia".
"As colegas a aconselharam e incentivaram a entrar em contato com a embaixada iraniana", afirmou o ministro.
Burke explicou que, durante o contato com a embaixada, foi revelado o local onde as refugiadas se encontravam, o que motivou a transferência do grupo para um local seguro.
O restante da equipe chegou nesta quarta-feira à Malásia. A delegação está em um hotel de Kuala Lumpur e aguarda a possibilidade de retornar ao Irã, em um contexto de guerra que provocou o cancelamento de muitos voos nesta região.
Burke afirmou que, no aeroporto de Sydney, cada jogadora teve a possibilidade de solicitar asilo de modo privado, sem a presença de seus acompanhantes.
* AFP



