
O dia, enfim, chegou. Pela primeira vez João Fonseca medirá forças contra um dos dois principais jogadores do circuito em uma partida oficial. Será nesta terça (10) pelo Masters 1000 de Indian Wells. O brasileiro enfrentará Janik Sinner, tenista número 2 do mundo, pelas oitavas do torneio. A partida começa não antes das 22h.
Apontado como o futuro do tênis, Fonseca é visto como um nome para quebrar a dualidade atual do circuito. Nas últimas temporadas, Sinner e o espanhol Carlos Alcaraz, atual líder do ranking, dominaram as principais competições. O brasileiro é cotado como um terceiro elemento para a formação de um novo Big 3, como foi apelidado o período de predomínio de Roger Federer, Rafael Nadal e Novak Djokovic.
O prestígio, a pressão e a exposição sobre o carioca receberam críticas por parte de Djokovic:
— (Learner) Tien, Fonseca e (Jakub) Mensik são a próxima geração. Fonseca recebe muitos holofotes, muita atenção, mas Mensik e Tien também merecem, pelos resultados que já conquistaram e por tudo que têm mostrado no circuito, especialmente nestes últimos 12 meses.
Derrota inesperada
Mensik pode ser exemplo a ser seguido por Fonseca. Sinner perdeu duas partidas na temporada. Para Djokovic, no Australian Open, e para Mensik, no Catar. O tcheco, de 20 anos, ocupa a posição 12 na lista da ATP.
— É verdade que o Sinner começou o ano não muito bem para o seu padrão. Mas em Indian Wells parece estar em forma. O Sinner é favorito, mas acredito ao menos que um dos sets pode ser equilibrado. Será um dia importante para Fonaeca — opina Federico Ferrero comentarista de tenis da Sky Itália.
Aos 19 anos, Fonseca enfrentou problemas nas costas nas primeiras semanas da temporada. Tinha só uma vitória no ano até estrear em Indian Wells. Nas quadras californianas passou pelo belga Raphael Collignon, o russo Karen Khachanov e o dono da casa Tommy Paul.
As duas últimas vitórias engrossam a estatística do bom desempenho do brasileiro contra os principais tenistas do circuito. Desde setembro, ele venceu sete dos seus oito confrontos contra adversários do Top 30 do mundo.
— Essas três atuações do Fonseca aumentam muito mais essa expectativa, porque mostram um nível técnico muito alto. Ele provou claramente que está muito mais veloz, muito mais resistente, está chegando em bolas muito difíceis, cobrindo muito bem a quadra. E essas são condições essenciais para enfrentar um Alcaraz e um Sinner — analisa José Nilton Dalcin, colunista do portal Tênis Brasil.
O piso sintético é o favorito de Sinner. Dos 24 títulos do italiano, 21 foram conquistados neste tipo de quadra. Entram na conta três Grand Slam, cinco Masters 1000 e dois ATP Finals.
Alcaraz como exemplo
Dalcin que um ponto de partida para Fonseca criar a sua estratégia para a partida seja analisar os jogos em que Alcaraz levou a melhor sobre Sinner.
— Ele tem a capacidade de variar jogo. Todo esse conjunto de variações que o Alcaraz faz com o Sinner dá muito certo, o Fonseca pode tentar repetir.
Desde 2012, um brasileiro não chegava às oitavas de Indian Wells. Naquele ano, Thomaz Bellucci foi derrotado por Roger Federer, então líder do ranking.
No Australian Open, primeiro Grand Slam da temporada, criou-se a chance de Sinner e Fonseca se enfrentarem na terceira rodada. Mas o brasileiro foi derrotado logo na estreia. Em dezembro, enfrentou Alcaraz em partida exibição.
— É um jogo que gera muita expectativa e quem é fã de tênis estava esperando há muito tempo, desde que o Fonseca despontou a chance dele jogar contra os principais nomes do circuito. Primeiro duelo contra o Sinner, ainda vai ter a primeira vez contra o Alcaraz, contra o Djokovic, mas é um jogo que todo mundo vai parar para assistir — avalia Renan do Couto, narrador da ESPN, que transmitirá a partida desta terça.
A partida será um marco do início da carreira. Espera-se que seja a primeira de muitas partidas contra os principais nomes do circuito. Quem sabe, logo ali, forme-se um novo Big 3.


