
Só no Rio Grande do Sul se ouvem, com tanta naturalidade e orgulho, frases que resumem identidade, pertencimento e história em apenas duas cores:
— Gosto do azul porque sou do Grêmio.
— Prefiro o vermelho, torço para o Inter.

Em semana de Gre-Nal, tudo se amplifica. Conversas de bar, vitrines de lojas, bandeiras nas janelas e até pequenos detalhes do cotidiano parecem entrar nesse jogo simbólico de cores. No domingo, Inter e Grêmio voltam a campo para decidir quem será o campeão do Gauchão 2026, no segundo e decisivo confronto da final do Campeonato Gaúcho.
A rivalidade centenária chega ao capítulo derradeiro da competição depois de uma campanha marcada por estádios cheios e expectativa crescente. O clássico que definirá o campeão promete novamente dividir o Estado entre azul e vermelho, mobilizando torcedores muito além das arquibancadas.
Mas o Gre-Nal não se vive apenas dentro dos estádios. Ele atravessa ruas, bairros e cidades inteiras — muitas vezes de maneira silenciosa, quase involuntária.
As cores aparecem em lugares improváveis: em brinquedos de praça desgastados pelo tempo, na pintura de um portão, na lona de uma barraca de feira ou no uniforme de quem passa pela calçada. Às vezes, a cidade parece montada como um tabuleiro improvisado do clássico.

Ponto de referência na capital, o Centro Histórico condensa muito sobre a rivalidade entre Grêmio e Inter. Seja próximo ao Mercado Público ou na Rua dos Andradas, o contraste entre as cores fica visível a quem se dispõe a um olhar menos acelerado do que o ritmo agitado dessa região.
Em semana de Gre-Nal, a impressão é que o azul e o vermelho se multiplicam: nas fachadas de lojas e prédios, nas roupas das pessoas ou em elementos do trânsito. Esses detalhes do cotidiano, em uma área tão representativa da cidade, mostram como mesmo a disputa esportiva também pode dar lugar a uma espécie de harmonia cromática.
Diante dessa dualidade tão presente no cotidiano, a equipe de fotógrafos de Zero Hora foi para as ruas de Porto Alegre e de cidades da Região Metropolitana em busca desses encontros visuais entre azul e vermelho.

Em uma praça, dois balanços infantis de madeira — um azul, outro vermelho — repousam sobre a areia, como se aguardassem jogadores mirins para um Gre-Nal improvisado. Em outro ponto da cidade, um ônibus azul do transporte público cruza a cena enquanto uma pedestre veste uma camiseta vermelha intensa, criando um contraste que parece ensaiado, mas é apenas a rotina da capital.

Em um estacionamento de rua, a frente azul de um caminhão se destaca diante de barracas vermelhas montadas para um comércio ambulante. Já em uma porta de bar ou oficina, um grande barril vermelho encostado à parede chama atenção ao lado de um trabalhador vestindo um jaleco azul, concentrado no celular enquanto o movimento da rua segue ao redor.

Há ainda momentos em que a rivalidade aparece de forma quase gráfica: diante de uma cortina metálica totalmente vermelha, um homem de camisa azul caminha de costas, carregando uma pasta atravessada no ombro — como se atravessasse simbolicamente o território adversário.
São cenas banais do dia a dia que, vistas através da lente da semana Gre-Nal, ganham outro significado. O que normalmente seria apenas composição urbana passa a dialogar com o imaginário do clássico.
Enquanto a bola não rola para a decisão do Campeonato Gaúcho, a cidade já parece jogar sua própria partida — silenciosa, espalhada pelas ruas e registrada pelos fotógrafos.
Confira as imagens desse olhar “Gre-Nal” sobre Porto Alegre e a Região Metropolitana.
