
Uma parceria improvável levou o New England Patriots de volta ao Super Bowl após sete anos. O técnico Mike Vrabel, 50, e o quarterback Drake Maye, 23, buscam o sétimo título da franquia para torná-la a mais vencedora de forma isolada na NFL.
Para isso, encararam o Seattle Seahawks neste domingo (8), a partir das 20h30min (horário de Brasília), no Levi's Stadium, em Santa Clara, na Califórnia.
Uma dupla que não se intimidou pela sombra de dois dos maiores nomes da história da liga, Bill Belichick e Tom Brady, que construíram uma dinastia com seis títulos em duas décadas em New England. Criaram suas próprias trajetórias de sucesso, o que pode fazer de Maye o quarterback mais jovem a vencer um Super Bowl.
Tudo começou em 7 de abril de 2025. Esta talvez seja uma das datas mais importantes da história recente do Patriots. Foi quando Vrabel, ex-linebacker que foi campeão do Super Bowl ao lado de Brady em campo em 2001, 2003 e 2004, que chegava para assumir o comando do time após a saída de Jerod Mayo, se encontrou formalmente pela primeira vez com todos os seus jogadores no Gillette Stadium, em Foxboro, Massachussetts. Trajado com um colete azul-marinho, marca registrada desde os tempos em que comandava o Tennessee Titans e seu uniforme em New England, se dirigiu ao seu novo grupo sem rodeios:
— Existe uma diferença entre estar perto de alguém e incentivá-lo, em vez de sentar-se à frente e ter algum conflito. Queremos extrair mais de vocês do que vocês mesmos imaginam.
Na primeira fila, Maye ouvia atentamente. O quarterback, que foi selecionado como terceira escolha do draft em 2024, foi um dos motivos que fizeram Vrabel assumir o desafio no Gillette Stadium. Prospecto de alto calibre em sua classe, o jogador recrutado da Universidade de North Carolina havia mostrado alguns flashes na temporada de calouro, mas precisava ainda de lapidação. Para o que Vrabel trouxe Josh McDaniels, coordenador ofensivo que comandou Tom Brady em boa parte das conquistas da Era Belichick.

O resultado foi muito além do que se podia imaginar. Maye contou com o esquema criativo de McDaniels, apoio de um elenco renovado de recebedores e uma linha ofensiva um pouco melhor para distribuir seus passes. Lançou para 4394 jardas, 31 touchdowns e liderou a liga em precisão, com 73,5% de acerto em tentativas e disputou com Matthew Stafford, do Rams, o prêmio de MVP da temporada.
Do outro lado da bola, uma defesa revigorada, com o cornerback Christian Gonzalez, um dos principais nomes da liga, e o investimento em contratações como Milton Williams, defensive tackle que havia sido campeão do Super Bowl no ano anterior com o Philadelphia Eagles.
— Pelo fato de ele (Vrabel) ter sido um jogador, sinto que ele ainda guarda na memória o que faz os jogadores funcionarem e o que nos coloca na direção certa, acreditando uns nos outros. Quando entrarmos em campo, damos a vida por ele — disse Milton Williams à NBC Sports Boston.

Vrabel "aposentou" Brady em New England
Linebacker de carreira vencedora na NFL, Mike Vrabel, nascido em Akron, Ohio, foi draftado da Universidade de Ohio State pelo Pittsburgh Steelers, em 1997, e chegou a New England em 2001.
Onde ficou por oito temporadas, foi peça importante nos três primeiros títulos da dinastia, e entrou no Hall da Fama do Patriots. Depois de se aposentar no Kansas City Chiefs, em 2011, teve sua primeira chance como técnico como coordenador defensivo do Houston Texans e depois assumiu como técnico principal do Tennessee Titans, em 2018.
Dois anos depois, viveu um dos grandes momentos da carreira ao "aposentar" Tom Brady em New England. No comando do Titans, Vrabel eliminou o Patriots na rodada de wild card dos playoffs, em um Gillette Stadium lotado, e decretou o que foi a última partida do lendário quarterback vestindo as cores de New England.
Vrabel deixou o Titans em 2024, tirando depois um "ano sabático" como consultor do Cleveland Browns antes de chegar como treinador a Foxboro, onde seria eleito como técnico do ano pela segunda vez na NFL com a campanha de New England nesta temporada.


