
E terminou da pior forma possível o protesto do ucraniano Vladyslav Heraskevych contra a guerra que acontece no território de seu país, desde a invasão da Rússia em 2022, nos Jogos Olímpicos de Inverno Milão-Cortina.
Porta-bandeira da delegação da Ucrânia na cerimônia de abertura, o atleta que compete no skeleton usou, durantes os treinos oficiais, um capacete com imagens de atletas mortos no conflito e pretendia utilizá-lo nas provas que acontecem nesta quinta-feira (12) e no sábado (14).
— Alguns deles eram meus amigos — disse Vladyslav, após o primeiro treino.
Mas o Comitê Olímpico Internacional (COI) fez um alerta a Heraskevych de que ele não deveria usar essas imagens, porque estaria violando o artigo 50 da Carta Olímpica, que busca evitar "todo tipo de interferência", especialmente "política" ou "religiosa", para que "todos os atletas possam se concentrar em seu desempenho" e que determina as "Diretrizes sobre a Expressão dos Atletas".
O ucraniano manteve sua posição e voltou a usar o equipamento em um segundo dia de treinos, mas nesta quinta-feira, 45 minutos antes de iniciar a primeira das duas sessões que abriram a competição masculina do skeleton, ele foi comunicado de que estava impedido de participar dos Jogos Olímpicos.

Vladyslav Heraskevych foi comunicado pela presidente do COI, Kirsty Coventry, que compareceu à pista Eugenio Monti, em Cortina D'Ampezzo, e se reuniu com ele.
— Não encontramos um ponto em comum a esse respeito — afirmou o ucraniano após a conversa, que durou cerca de 10 minutos.
Medalhista olímpica da natação, Coventry concedeu uma entrevista ainda no local e falou sobre a decisão.
— Como todos vocês viram nos últimos dias, permitimos que Vladyslav (Heraskevych) usasse seu capacete nos treinos. Ninguém, ninguém — especialmente eu — discorda da mensagem. A mensagem é poderosa. É uma mensagem de lembrança. É uma mensagem de memória e ninguém discorda disso. O desafio que enfrentamos é que queríamos encontrar uma solução apenas para o campo de jogo — comentou a dirigente que foi eleita para presidir o COI em março de 2025.
Apesar de proibido de competir, ele não teve sua credencial cassada a pedido da própria Coventry, que fez um apelo ao Presidente da Comissão Disciplinar (CD) para que ele pudesse permanecer na Itália como atleta.




