
Sam Darnold reaprendeu a respirar dentro do pocket como quem volta à superfície depois de anos submerso. Rotulado cedo demais, cobrado além da medida e atravessado por projetos que nunca floresceram, o quarterback encontrou em Mike Macdonald mais do que um treinador: alguém capaz de afastar fantasmas.
A jornada de Sam Darnold no futebol americano sempre foi marcada por altos e baixos. Ora foi promissor, ora relegado às sombras das expectativas frustradas. Mas a temporada de 2025, no Seattle Seahawks, transformou esse percurso em um dos arcos mais surpreendentes da NFL.
— Acho que muito disso vem da minha família. Meu pai era encanador, minha mãe era professora de educação física. Não importava o tipo de dia que eles tivessem, eles sempre estavam de bom humor. Sinto que aprendi naturalmente a ser resiliente e a viver um dia de cada vez — disse Darnold, na segunda-feira, durante coletiva de imprensa para o Super Bowl LX.
Draftado em 2018 pelo New York Jets, passou por Carolina Panthers, foi reserva no San Francisco 49ers e rejeitado pelo Minnesota Vikings mesmo após uma temporada acima da média.
Sob o olhar meticuloso de Macdonald, o jogo de Darnold ganhou coragem em Seattle. E assim, domingo após domingo, a narrativa mudou. A redenção de Darnold é uma história escrita a quatro mãos, entre o quarterback que resistiu e o treinador que soube enxergar futuro onde muitos só viam passado.
Neste domingo (8), a dupla Darnold e Macdonald quer exorcizar o último fantasma: o New England Patriots, que, há 11 anos, venceu Seattle de forma traumática no Super Bowl.

Da rejeição à redenção
Sam Darnold deixou a universidade como uma grande promessa. A vitória no Rose Bowl em 2017 pela USC consolidou seu status como um dos principais prospectos da NFL, e em 2018, o New York Jets o selecionou na terceira posição geral, na esperança de que ele se tornasse o rosto da franquia.
Os anos seguintes, porém, foram frustrantes. Em duas temporadas no Jets, pouco produziu. A franquia, que há anos não tem um ambiente saudável, também não ajudou. Em uma partida contra o New England Patriots, Darnold lançou quatro interceptações na derrota por 33 a 0 e, de forma memorável, foi flagrado dizendo que estava "vendo fantasmas". Este termo ficou associado a Darnold até hoje, rotulando-o como um quarterback que pode ser facilmente confundido pela defesa adversária.
Saiu de New York para o Carolina Panthers e pouca coisa mudou: vieram turnovers, lesões, falta de recebedores e pouca ajuda. Após o fracasso de Carolina, foi trocado com o San Francisco 49ers, onde foi reserva da equipe chegou aos Super Bowl em 2023. Lá, mesmo jogando pouco, finalmente encontrou um ambiente que ajudou no seu desenvolvimento.
Em 2024, chegou ao Minnesota Vikings, onde a história começou a mudar. Liderou o time em uma campanha de 14 vitórias e apenas três derrotas. Mas seu final desastroso contra os Lions e os Rams em semanas consecutivas convenceu os Vikings de que seria melhor seguir em frente com JJ McCarthy como uma solução mais barata para a posição de quarterback.
Mesmo diante das críticas ao poder de decisão de Sam Darnold, o Seattle Seahawks acreditou no jogador. Pela primeira vez em sua carreira, o quarterback ultrapassou a marca de 4 mil jardas passadas (4.048) na temporada regular, alcançando o quinto lugar na liga nesse quesito, junto com 25 touchdowns aéreos e um rating de passador de 99,1, índices que refletem eficiência e produção consistentes ao longo de 17 jogos.
Nos playoffs, quando o futebol americano costuma esmagar reputações, Darnold cresceu. Seu rating acima de 120 em jogos decisivos não é apenas um dado avançado: é a prova de que a pressão deixou de ser ruído e virou ritmo.
— Um verdadeiro líder, um verdadeiro competidor. Eu não estaria aqui sem ele — define Jaxon Smith-Njigba, recebedor do Seahawks, que foi eleito o melhor jogador ofensivo da temporada.
E agora, os astros da NFL se alinharam para proporcionar a Darnold a oportunidade definitiva de redenção: para vencer o Super Bowl, ele precisa derrotar o time contra o qual um dia viu fantasmas.
— Ele (Sam Darnold) calou muita gente, então estou muito feliz por ele. Senti que era uma ótima combinação desde o início do processo e estou muito feliz que tenha dado certo — disse o treinador Mike Macdonald.
Assista ao PrimeCast, podcast de GZH sobre a NFL:
De "nerd" dos números a técnico vencedor
Formado em Finanças, Mike Macdonald trouxe muito do que aprendeu sobre números para a sua experiência na NFL. Mas, admitiu que, apesar dos rótulos "nerd", prefere ser considerado um "ponto intermediário entre a tirania das estatísticas avançadas e a ambiguidade da intuição".

Aos 38 anos, é um rosto bastante jovem na liga. Sua primeira experiência na NFL foi em 2022, como coordenador defensivo no Baltimore Ravens, onde fez um trabalho impressionante, que chamou a atenção do Seattle Seahawks.
Macdonald assumiu como treinador principal dos Seahawks em 2024, após a franquia terminar a temporada de 2023 com campanha 9-8, o que levou à saída do treinador Pete Carroll, que estava no cargo há 14 temporadas.
O gerente geral dos Seahawks, John Schneider, descreve Macdonald como alguém que lidera com inteligência, honestidade direta e autenticidade.
Se os Seahawks vencerem os Patriots, Mike Macdonald se tornará o terceiro técnico mais jovem a conquistar um Super Bowl, atrás apenas de Sean McVay, com o Rams, e Mike Tomlin, com o Steelers, ambos com 36 anos.


