
— Eu sou a melhor decisão da história desta organização.
Foi assim que um franzino Thomas Edward Patrick Brady Jr., quarterback calouro vindo da Universidade de Michigan, aos 22 anos, se apresentou a Robert Kraft, dono do New England Patriots, em 2000. Ainda desacreditado pela NFL, o californiano de San Mateo, cidade próxima de San Francisco, foi selecionado no draft como 199ª escolha geral, no último dia do evento.
Mas construiu uma história de trabalho e superação que ajudou a criar uma dinastia de duas décadas na liga, com seis troféus do Super Bowl para a franquia, e uma estátua de 3,6 metros e seis toneladas de bronze com sua imagem erguida no Gillette Stadium, em Foxboro, Massachusetts.
Legado que servirá de inspiração para que o time busque sua sétima conquista neste domingo (8), contra o Seattle Seahawks, a partir das 20h30min (horário de Brasília), no Levi's Stadium, em Santa Clara, na mesma Califórnia de Brady, e se torne recordista isolado em títulos da NFL.
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Recordista como franquia, na verdade. Afinal, Tom Brady já conquistou seu sétimo troféu Vince Lombardi no Super Bowl em 2021, com o Tampa Bay Buccaneers, ao derrotar o Kansas City Chiefs de Patrick Mahomes. Mas as vitórias do lendário quarterback pelo Patriots têm marcas que ajudam a entender não só a cultura da franquia da Nova Inglaterra, mas também como a equipe desta temporada, liderada pelo jovem quarterback Drake Maye, 23 anos, e pelo técnico Mike Vrabel, 50, ex-linebacker que foi campeão do Super Bowl ao lado de Brady em campo em 2001, 2003 e 2004, se credenciou para a decisão do próximo domingo.
Batalha na neve
Na temporada 2001, a ascensão do Patriots ao seu primeiro título foi marcada por um lance que mudou a carreira de Brady. Então titular, o quarterback Drew Bledsoe, primeira escolha do draft de 1993 e que havia liderado a franquia ao Super Bowl 1996, perdido para o Packers, sofreu uma grave lesão na partida contra o Jets, na semana dois, após choque com o linebacker Mo Lewis. O que abriu espaço para Brady assumir a titularidade, se firmar na equipe e conduzi-la aos playoffs.
Na rodada divisional, ainda no antigo Foxboro Stadium (que seria demolido e substituído pelo Gillette Stadium, erguido ao seu lado), os Patriots enfrentaram o Raiders sob intensa nevasca, o que tornou a partida uma verdadeira batalha sob a neve.
O jogo ficou marcado pela aplicação da polêmica "tuck rule" pela arbitragem quando o time da casa perdia por 13 a 10: Brady havia sofrido um fumble (deixado a bola escapar) após pressão do cornerback Charles Woodson, o que selaria a vitória aos visitantes. Mas a arbitragem interpretou que o quarterback do Patriots havia feito um passe incompleto, o que manteve a posse de bola com New England e permitiu ao kicker Adam Vinatieri empatar o placar com um field goal de 45 jardas e levar o jogo para a prorrogação. Com outro chute sob a nevasca, o mesmo Vinatieri definiu a vitória no tempo extra por 16 a 13. E seria decisivo na conquista do Super Bowl, convertendo o field goal da vitória de 20 a 17 sobre o St. Louis Rams (hoje Los Angeles Rams).
Coincidência ou não, nesta temporada o Patriots também superou uma batalha na neve, contra o Broncos, para se garantir na decisão da NFL.
Liderança e humildade
Sob o comando de Tom Brady e do lendário técnico Bill Belichick, o Patriots formou uma dinastia na NFL. Os títulos de Super Bowl em 2003, sobre o Carolina Panthers (placar 32 a 29), e em 2004, contra o Philadelphia Eagles (placar 24 a 21), elevaram a franquia a outro patamar.
A campanha avassaladora em 2007, que teve Brady como MVP com 50 touchdowns em uma temporada invicta (16-0), mas com a perda do título para o New York Giants na final, mostrou um time que flertou de perto com a perfeição.
A franquia também soube se reinventar para conquistar mais três títulos na década seguinte. Sobre o adversário deste domingo, o Seahawks, em 2015, em uma jogada de genialidade do cornerback Malcolm Butler, que interceptou o adversário na linha de uma jarda de defesa para garantir a vitória por 28 a 24. Com a maior virada da história do Super Bowl, em 2017, ao reverter um placar que estava 28 a 3 para o Atlanta Falcons no terceiro quarto, e terminou 34 a 28 na prorrogação. E com uma atuação defensiva incrível ao segurar um ataque explosivo e bater o Los Angeles Rams por 13 a 3 no Super Bowl 2019.
Mas nada disso seria possível sem Tom Brady. Nada seria possível sem a força de um líder que inspira seus colegas a serem melhores. Qualidade que o próprio Brady diz enxergar em Drake Maye, o jovem quarterback que terá a missão de conquistar o sétimo Super Bowl para o Patriots neste domingo.
— Drake Maye tem essa humildade. Tudo o que sai da boca dele é sempre sobre o time — avalia Brady, hoje com 48 anos e comentarista da Fox Sports nos Estados Unidos. Ele completa:
— É sempre sobre elogiar a defesa, a linha ofensiva. É assim que você se conecta com as pessoas. É isso que grandes líderes fazem: eles estão a serviço dos outros. Não se trata do que você pode fazer por mim, mas do que eu posso fazer por você. Como posso apoiar seus objetivos, sua visão? A verdadeira liderança é sobre humildade.
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