
Caro treinador do Inter, Sr. Ramón Díaz.
Quando comecei a frequentar estádios de futebol, no início dos anos 2000, eu precisava ir de roupas largas. Sabe por quê? Porque futebol não é para meninas. Iniciei uma faculdade de jornalismo sem acreditar que eu era capaz de virar repórter de esporte. Sabe por quê? Porque futebol não é para meninas. Eu entrei para o jornalismo esportivo em 2013 com parte de mim desconfiando se de fato eu era capaz. Sabe por quê? Porque futebol não é para meninas.
E mais de vocês pensam (e agem) assim. Enquanto mulher no futebol, Ramón, preciso te dizer que quando conseguimos alguma entrevista exclusiva, falam que é porque temos “caso” com alguém. Criar relação com fonte é ouvir que só passam informação depois do espumante que precisamos tomar. Sabia disso?
Pessoas como o senhor colocam em dúvida todos os dias a nossa capacidade.
Mas, ainda assim, essas mesmas meninas fizeram do clube para qual o senhor trabalha, um dos maiores quadros sociais femininos do Brasil. O clube que paga o seu salário, aliás, tem uma torcida organizada só de mulheres. E adivinha? Elas também cresceram ouvindo a mesma coisa. Não tão perto da grandiosa estrutura que o senhor trabalha, mas vestindo as suas mesmas cores, há dezenas de meninas profissionais defendendo as cores do Inter. E adivinha? Elas também cresceram ouvindo que futebol não é para meninas.
A declaração machista que o senhor proferiu em um microfone com uma audiência de pós-jogo rendeu uma retração via story, no Instagram, mais de 15 horas depois.
Não aprendeu
O Inter, como o clube em que o senhor trabalha, também se desculpou em redes sociais algumas horas depois do fato. O episódio com a profissional que operava o VAR em uma partida, enquanto o senhor treinava o Vasco, não lhe trouxe aprendizados, uma pena.
Eu só tenho uma coisa a dizer: nós vamos continuar. Ainda que vocês insistam em dizer que futebol não é para nós.
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