
Ruth Chepngetich foi suspensa por três anos por doping, informou a Unidade de Integridade do Atletismo (AIU) nesta quinta-feira (23). A atleta queniana testou positivo para hidroclorotiazida, um diurético proibido.
"A AIU suspendeu Ruth Chepngetich por três anos a partir de 19 de abril de 2025 pelo uso de uma substância proibida", escreveu o órgão, que já havia suspendido a queniana provisoriamente em julho. Seus resultados a partir de 14 de março de 2025 foram anulados, mesmo que ela não tenha corrido desde então.
Em outubro de 2024, em Chicago, Ruth quebrou o recorde mundial em quase dois minutos — ela completou a prova em 2h09min56seg. Até aquela data, nenhuma mulher havia conseguido correr abaixo das duas horas e 10 minutos.
Em comunicado publicado no momento do anúncio da suspensão provisória, em meados de julho, a AIU explicou que teve conhecimento do resultado positivo do exame de Chepngetich no dia 3 de abril de 2025.
Embora a atleta tenha afirmado repetidamente que não conseguia explicar o resultado positivo do teste, "Chepngetich mudou sua versão em 31 de julho, lembrando-se repentinamente de ter ficado doente dois dias antes do resultado positivo. Ela disse que havia tomado remédios da empregada doméstica sem verificar se continham substâncias proibidas", detalhou a AIU em seu comunicado nesta quinta-feira.
O órgão antidoping acrescenta que, em um primeiro momento, decidiu por uma suspensão de quatro anos (dois a mais que a punição mínima prevista) devido a esta "imprudência" considerada "dificilmente crível". Mas depois de a queniana admitir sua culpa, a suspensão foi reduzida para três anos.
Campeã mundial de maratona em 2019, Ruth Chepngetich venceu a Maratona de Chicago três vezes (2021, 2022 e 2024) e não corre desde 9 de março de 2025, na Meia Maratona de Lisboa, quando terminou em segundo lugar.
O que é a Hidroclorotiazida
A hidroclorotiazida (HCTZ) é um diurético proibido pela Agência Mundial Antidoping que pode ser usado para mascarar a presença de outras substâncias proibidas na urina.
O medicamente é usado clinicamente para tratar retenção de líquidos e hipertensão. Segundo o Código da Wada (Agência Mundial Antidoping), é uma substância da classe S5 (diuréticos e agentes mascarantes), proibida em todos os momentos e também classificada com uma substância especificada.
De acordo com os requisitos técnicos da Wada para laboratórios, a HCTZ tem um nível mínimo de notificação de 20 ng/mL na urina, o que significa que resultados abaixo dessa concentração são relatados como negativos.
Uma substância especificada tem uma suspensão padrão de dois anos de inelegibilidade, sujeita a possível redução ou aumento de acordo com as disposições do Código da Wada.




