
O dia 15 de outubro entrou para a história do atletismo brasileiro há exatos 50 anos, quando João Carlos de Oliveira saltou 17m89cm e estabeleceu um novo recorde mundial do salto triplo.
A marca foi obtida durante os Jogos Pan-Americanos, na Cidade do México, e foi 45cm superior ao recorde anterior, do soviético Viktor Sanyeyev, que perdurava há três anos.
Instantes depois, ele passaria a ser conhecido como João do Pulo, o terceiro brasileiro a quebrar a marca na prova, após as cinco vezes de Adhemar Ferreira da Silva, entre 1950 e 1955, e de Nélson Prudêncio, sete anos antes na final dos Jogos Olímpicos da mesma Cidade do México.

O feito foi tão extraordinário que este foi o recorde do triplo quebrado com a maior distância para o anterior até hoje. Os 17m89cm de João permaneceram como principal marca da prova por nove anos, oito meses e um dia, até o estadunidense Willie Banks saltar 17m97cm em Indianápolis em 1985. Na história ainda é o 13º maior salto de todos os tempos.
Quem foi João do Pulo
João Carlos de Oliveira nasceu em 28 de maio de 1954 em Pindamonhangaba, cidade do Vale do Paraíba em São Paulo, e perdeu a mãe aos 7 anos.
Alto e magro (1m86cm e 70kg no auge da carreira), foi visto em uma competição escolar e convidado a treinar. Na época vivia de fazer uns "bicos" e lavar carros. Aos 19 anos, tornou-se recordista mundial juvenil e entrou para o Exército (de onde sairia como sargento).
Um ano depois de se tornar recordista mundial foi bronze nos Jogos Olímpicos de Montreal, superado por Sanyeyev e pelo estadunidense James Butts.
No ciclo até os Jogos de Moscou em 1980, João venceu a Copa do Mundo de Atletismo por duas vezes seguidas (1977 e 1979).
Bronze polêmico
Com o boicote à Olimpíada na União Soviética no auge da Guerra Fria, ele mais uma vez foi como favorito e terminou com outro bronze, em uma prova polêmica até hoje.
João do Pulo ficou atrás dos soviéticos Jaak Uudmäe e Viktor Sanyeyev. Mas para muitos, incluindo o técnico de Uudmae, Harry Seinberg, o brasileiro teve dois saltos injustamente anulados pelos ficais de pista soviéticos, para favorecer os atletas locais.
De acordo com o jornal australiano Sydney Morning Herald, em reportagem apresentada em 2000, anular as marcas do brasileiro fazia parte de uma estratégia para tornar Sanyeyev tetracampeão da prova, algo que não ocorreu por conta de Uudmäe.
Tri da Copa do Mundo e acidente

No ano seguinte, em 1981, João do Pulo se tornaria tricampeão da Copa do Mundo, sua última grande conquista.
Mas no final daquele ano, em 22 de dezembro, sofreu um grave acidente de carro e ficou por um ano e meio internado, período no qual foi submetido a 16 cirurgias e sobreviveu a quatro paradas cardiorrespiratórias, tendo a perna direita amputada.
João do Pulo voltou à vida pública como político e foi eleito duas vezes deputado estadual por São Paulo. Mas teve problemas financeiros e de saúde, como depressão e alcoolismo.
Em 29 de maio de 1999, um dia após comemorar seu 45º aniversário, João Carlos de Oliveira faleceu por conta de uma cirrose hepática e falência múltipla dos órgãos.
Ao longo dos anos, após sua morte, várias homenagens foram feitas. Em uma delas, em janeiro de 2022, a Prefeitura de Pindamonhangaba inaugurou um monumento em homenagem a João do Pulo, uma estátua com oito metros de altura, construída em fibra de vidro e estrutura metálica e que foi produzida pelo artista espanhol Hugo Lukas.

