
— Ela é muito focada em tudo, muito dedicada, e eu acho que é uma pessoa com um futuro brilhante.
As palavras utilizadas por Jorge Balardin para definir a filha, Geórgia, são de quem tem orgulho da trajetória dela até aqui.
Nascida no bairro Menino Deus, em Porto Alegre, desde os primeiros passos Geórgia demonstrava que o futebol seria a sua vida.
— Ela estava no maternal e teve um jogo de futebol misto entre as crianças ali, tinha cinco anos, e o pai de uma menina disse.... A tua filha aprende futebol, está na escolinha de futebol? Eu disse, não. Ele disse, pois eu acho que deveria colocar — conta a mãe Marilene Fernandes.

Dribles com os amigos
A partir daí, o interfone de casa não parava de tocar. Por que foi na quadra do prédio, que a gaúcha deu os primeiros dribles com os amigos.
— Tudo começou ali nessa quadrinha. Quando os meninos tavam jogando, faltava um. E ai um amigo meu, chamado Vitor, disse "Gê, vem pra cá jogar uma vez. Tá faltando um". Falei "ah tá bom né, vou jogar". Primeira coisa joguei, cheguei em casa: "Mãe, tá na hora de jogar futebol. Minha vida é essa — comenta Geórgia.

Campeã
E fez a vida ser essa. Iniciou a carreira na Escolhinha Duda Luizelli, e a convite da própria, foi jogar no time feminino do Inter. Em 2017 levantou a taça do Campeonato Gaúcho Feminino ao lado das companheiras de clube. Título que a impulsionou a seguir o sonho longe do Rio Grande do Sul.

Foram cinco anos entre o Vip Tombolo e Lazio, até defender as cores do Okasa Falconara. No clube italiano, Geórgia agregou mais um título ao currículo: campeã Italiana de Futsal 2024/25. Depois de alguns anos vivendo longe da sua casa, foi um símbolo de superação:
— Acho que é a medalha do sacrifício. Porque realmentte foi um ano difícil pra todo mundo e a medalha é o simbolo, exemplo, do que eu consegui e consegui pra todos nós.

De olho na Copa
Atualmente é atleta do Tiki Taka Francavilla e espera levar a experiência na bagagem. Com a realização da primeira edição da Copa do Mundo de Futsal Feminino, que será realizada de 21 de novembro a 7 de dezembro nas Filipinas, ela espera ficar mais próxima de realizou outro sonho: servir à Seleção — só não sabe ainda de qual país.
— Tenho a possibilidade de defender tanta a seleção brasileira quanto a italiana. E sim é um sonho meu que eu to tentando conquistas, mas aos poucos eu vou. Mas espero ser convocada — diz Geórgia.
De Mala e Cuia
Há mais de seis anos longe de casa, o desafio é amenizar a saudade. Geórgia revela que tem uma lista de gostaria que fosse fácil encontrar na Itália.
— Farofa, paçoca, erva-mate, café, quando eu chego eu tenho que comer feijão, arroz, churrasco... Quando vou para o Brasil, tenho que chegar e comer o churrasco do meu pai.

A série
A série de "De Mala e Cuia" conta a história de três atletas que nasceram no Rio Grande do Sul e foram ganhar o mundo dos esportes fora do país.
A trajetória de cada uma é contada pelas famílias que permanecem na cidade natal e que precisam adaptar a rotina pra diminuir a distância pela tela do celular.
Serão três episódios exibidos na quinta (18), sexta (19) e sábado (20) no Globo Esporte, no ge.globo e em GZH.

