
Há 20 anos, um gaúcho de 1m64cm abria uma porta para o judô brasileiro que nunca mais se fecharia. Aos 24 anos, João Derly tornou-se o primeiro judoca do país a se tornar campeão mundial da modalidade.
Eram 13 medalhas individuais do Brasil em competições daquele nível. O melhor resultado até então era a prata de Aurélio Miguel em 1993, em Hamilton, no Canadá.
Quis o destino que o judoca da Sogipa quebrasse o tabu em 2005, no Cairo, no Egito, e transformasse não só a modalidade dentro dos tatames, mas também a forma como o brasileiro via e consumia o judô.
Foi no dia 10 de setembro de 2005 que Derly tornou-se o primeiro brasileiro campeão mundial de judô. O gaúcho venceu por ippon na final da categoria meio-leve (até 66kg) o japonês Masato Uchishiba, campeão olímpico em Atenas um ano antes.
— Toda modalidade que tem o ineditismo chama atenção. Autoridades, poder público, empresas privadas, todos se atentaram ao judô. E ali nós já estávamos crescendo e fortaleceu e alavancou mais ainda — recorda Paulo Wanderley, presidente da Confederação Brasileira de Judô (CBJ) em 2005 e atual presidente da entidade.
Wanderley enfatiza o papel fundamental do feito do judoca gaúcha para a modalidade no Brasil:
— O João tem uma participação importante nessa dinâmica de evolução do judô brasileiro. Foi um momento importante onde o judô explodiu em termos de veículos de comunicação.
Após a primeira conquista de Derly, o Brasil repetiu o título mundial em mais oito oportunidades. Uma com o próprio judoca da Sogipa, no Mundial seguinte, no Rio de Janeiro. Além do gaúcho, também levaram o título: Tiago Camilo, Luciano Correa, Rafaela Silva, duas vezes, e Mayra Aguiar, em três oportunidades.

Clube virou referência
O ouro de João não pavimentou apenas parte do judô nacional, mas também fortaleceu um clube que engatinhava na modalidade no Rio Grande do Sul. A Sogipa, berço do judoca bicampeão mundial, após a conquista no Cairo, tornou-se referência no esporte e somou sete medalhas olímpicas e 14 medalhas em mundiais sênior.
— Nosso objetivo não era ter atletas campeões mundiais, medalhistas olímpicos. Depois dessa grande conquista, se buscou ter equipe multidisciplinar, aumentar o projeto, trazer atletas de outros centros para fortalecer a equipe. Para ver o tamanho das conquistas que vieram pós essa grande conquista — conta Antônio Carlos Pereira, o Kiko.
À época, ele era o treinador de Derly. Hoje, Kiko é o atual técnico da Sogipa e da seleção brasileira de judô masculina. O profissional ressalta a importância da conquista do gaúcho:
— Não só para Sogipa e para o Rio Grande do Sul, foi importante para o Brasil também. O país tinha até então dois campeões olímpicos e não tinha um campeão mundial ainda.
