
Existem cerca de 448 formas para se chegar a um clássico. Apesar da fartura de possibilidades, Inter e Grêmio trilharam um caminho semelhante antes de ingressarem no Gre-Nal 448.
Os dois estão em crise. Ambos os técnicos estão a perigo. As duas torcidas estão desanimadas. Ainda assim, um duelo de gigantes será disputado às 17h30min de domingo (21), no Beira-Rio.
Dono da casa, Roger Machado, em tempos de semana Farroupilha, equilibra-se sobre o lombo do cavalo chucro. Qualquer movimento em falso resultará em sua queda.
Era plausível que acontecesse após a derrota por 4 a 1 para o Palmeiras, no sábado (13). A direção o sustenta apesar de apenas uma vitória nas seis partidas mais recentes. Ou duas em 11, em um panorama mais amplo.
— O futebol nos prega esses momentos difíceis. É ter resiliência, saber que a oportunidade se apresenta no clássico para dar a volta por cima – declarou o vice de futebol José Olavo Bisol, após a partida do fim de semana.
O técnico colorado vive situação semelhante à de Mano Menezes no Inter, em 2023. Chegou em meio à temporada, arrancou bem, escalou a tabela do Brasileirão, mas depois da virada do ano os resultados minguaram. O rival de domingo caiu em julho, Roger ainda se segura em setembro.
— É trabalhar para o próximo evento, que é o clássico, que é importante, que a gente sabe que é um campeonato à parte. É mostrar ao torcedor que a gente deseja coisas mesmo eliminados de outras competições — disse Roger.
Projeções que não se concretizam
Desta vez, Mano Menezes desembarcou em um clube em meio a temporada sem dar o fôlego desejado, como em trabalhos recentes no Inter e no Fluminense. Patina. A intenção era usar a pausa do Mundial de Clubes para promover crescimento físico, técnico e tático.
Após a derrota para o Mirassol no sábado, o técnico gremista evitou novas projeções.
— Já falamos tantas coisas, já projetamos tantas coisas e elas estão demorando para acontecer, então tem que ser rápido — comentou.
Desde a retomada dos jogos, o Grêmio conquistou duas vitórias em 12 jogos, ou três em 13 agregando a Recopa Gaúcha. As vitórias foram sobre Fortaleza e Atlético-MG. Apesar do retrospecto, Mano elencou razões para acreditar em um bom resultado no 448:
— Primeiro que eu acho que o jogo é grande por si só e dispensa qualquer tipo de comentário e nós vamos enfrentá-lo da mesma maneira que enfrentamos no primeiro turno, onde a dificuldade também era extrema. E o Grêmio sempre teve postura grande diante de jogos grandes e vai ter.
Pressão em outro clássico

Não é preciso revirar muito as gavetas da memória para encontrar outros clássicos em que os treinadores chegaram pressionados, com alguma instabilidade em seus cargos. O mais recente foi o Gre-Nal disputado em Curitiba, no ano passado.
Após a enchente, Grêmio e Inter jogaram no Couto Pereira. A vitória colorada por 1 a 0 deu um pouco de oxigênio para Eduardo Coudet. Ele durou mais seis partidas no cargo, com três empates e três derrotas.
No Grêmio, Renato Portaluppi ouvia contestações sobre o seu trabalho. Ele resistiu até o fim do ano, muito mais apoiado pelo seu status no clube do que pelo desempenho do time.
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