
Celeiro do vôlei brasileiro, o Rio Grande do Sul vive um momento de penúria na modalidade. No masculino, o Estado sempre contribuiu com jogadores em campanhas vitoriosas em Jogos Olímpicos. São 11 atletas gaúchos medalhistas olímpicos. O Estado conquistou a Superliga quatro vezes, uma com a Frangosul e três com a Ulbra, ambas extintas. A próxima edição do torneio começa em 21 de outubro e pela oitava vez consecutiva não terá em quadra uma equipe do RS.
O apequenamento criou uma bolha que separa o vôlei gaúcho dos principais centros da modalidade. Sem uma equipe de elite local, apenas alguns cruzam o Mampituba para jogar como profissionais. Eventos como os Jogos da Juventude, disputados em Brasília, são vistos como essenciais para os jogadores da equipe gaúcha.
O time é formado por alunos do Colégio La Salle Carmo, de Caxias do Sul, que jogam pela APAAVÔLEI. Todos buscam uma oportunidade além dos limites do RS. Na modalidade, as categorias de base vão até os 19 anos. O time presente na capital federal conta com atletas até 17 anos. A preocupação sobre o futuro começa a bater.
— É a idade para conseguir sair, porque muitos clubes não querem contratar jogadores mais velhos. E tem alguns clubes que não deixam os mais jovens saírem. Então é um momento decisivo — explica o oposto João Pedro Cappiollo, o JP.
Em breve JP fará parte da equipe dos que conseguiram sair do Estado para jogar vôlei. Há duas semanas recebeu convite para treinar no Sada/Cruzeiro, principal clube do vôlei brasileiro. Em outubro, embarca para Minas Gerais.
— Não temos uma referência local. Nossa intenção é ir para fora. Somos poucos vistos, então temos de aproveitar as competições de nível nacional — analisa.
O próximo passo será a disputa da Copa Paraná. Uma nova oportunidade para os guris serem observados pelos clubes dos grandes centros, como Santa Catarina, São Paulo e Minas Gerais.
Os mineiros foram os algozes dos gaúchos na segunda rodada dos Jogos da Juventude, em vitória por 2 a 0. O resultado obriga o time do RS a vencer São Paulo nesta terça-feira (23) para ir à semifinal.
Ao analisar o jogo, o técnico Renato Duarte conta que do outro lado da quadra estavam jogadores do Praia Clube, outra equipe de ponta do vôlei brasileiro.
— No outro time tinham dois gaúchos. Os clubes estão levando os jogadores cada vez mais cedo. A gente vê que nossos garotos se preocupam (com o futuro) — relata.
Além de ter em mãos um elenco jovem, Renato lamente a ausência do ponteiro Lorenzo Trentin, 15 anos e já 1,99m de altura. Ele está a serviço da seleção brasileira infantojuvenil - até 19 anos.
Este é mais um guri que terá de sair do Estado para seguir a carreira. A fábrica gaúcha segue em produção, mas apenas para exportação.




