
Nunca se sabe em que esquina do esporte se vai encontrar os talentos do futuro. Mas quando se reúne 4,7 mil jovens atletas em um determinado local, a missão fica facilitada. O Comitê Olímpico do Brasil (COB) e as federações esportivas das 20 modalidades aproveitam os quase 5 mil jovens inscritos nos Jogos da Juventude para monitorar possíveis craques de 20 modalidades disputadas em Brasília.
São 26 olheiros espalhados por quadras, tatames, piscinas e pistas. Oficialmente chamados de observadores técnicos, eles colocam um olhar crítico sobre nomes presentes nos seus radares, sem descuidar das novidades. Nem todos os estados enviam delegação para competições nacionais. O que aumenta a importância dos Jogos, pois nele todas as unidades da federação estão representadas. A abrangência abre espaço para surpresas.
— A competição permite observar talentos fora do nosso radar. O pessoal da Paraíba veio com um time muito forte, nos surpreendeu - revela Maria Portela, observadora da Confederação Brasileira de Judô e ex-atleta da Sogipa.
O judô conta com três olheiros. Eles mapearam as quase 600 lutas que ocorreram nos tatames montados no Centro Internacional de Convenções do Brasil. Os dados compilados mostram como os embates foram ganhos, quais golpes foram aplicados e a posição dos judocas nos movimentos vencedores.
A partir da coleta dos dados será formulado um relatório e enviado para COB e federações. Para a modalidade, os Jogos são um ponto vital para o crescimento.
— Vencer aqui vale ponto no ranking do próximo ano, é a primeira competição que vale ponto. Então aqui é um início de processo para a gente formar a seleção - conta Maria.
Novos talentos da ginástica rítmica
Trabalho similar realiza Juliana Coradine, da Confederação de Ginástica Rítmica Desportiva. São anotados detalhes das apresentações de cada uma das atletas que se apresentaram. Há um contato direto com treinadores das equipes sobre pontos positivos e a melhorar de cada ginasta.
— Sempre aparecem novos talentos aqui. Anoto tudo para dar um retorno aos técnicos. Vejo que as meninas estão com brilho nos olhos para mostrarem o seu trabalho. Estão motivadas com o momento da GRD. Daqui vão sair futuras campeãs.
Para esta edição, o COB alinhou com as confederações uma nova abordagem para a prospecção de talentos. A meta é não apenas observar potenciais expoentes do esporte, mas também traçar um plano de desenvolvimentos para aqueles que chamarem atenção.
O plano objetiva criar uma plataforma de desenvolvimento de atletas de alto rendimento para prepará-los para competições como Jogos Olímpicos e Pan-Americanos. A dimensão do trabalho poderá ter impacto já em Los Angeles 2028. No ano passado nos Jogos de Paris, 37% da delegação brasileira participou do Jogos da Juventude em algum momento de sua formação.





