Não foi virando massa, empilhando tijolo, rebocando parede por seis, sete horas por dia que Ricardo Abreu comprou seu carro. Foi saltando de um lado para o outro, segurando a bola, dando passes e fazendo lançamentos, normalmente das 18h em diante em quadras da zona norte de Porto Alegre.
Aos 29 anos, casado e pai de dois filhos, já tem quase 2 mil jogos como goleiro. O suficiente para pagar o financiamento de seu veículo.

Trabalho embaixo das traves
De sábado a quinta-feira, ele está em algum campo, próximo a alguma trave, defendendo algum time que permite alguns contra-ataques. Sua folga é na sexta-feira. Aí é dia da família e de recuperação física porque sábado e domingo, sem obra para tocar, o trabalho embaixo das traves é redobrado.
A história de Ricardo como goleiro é idêntica a de muitos companheiros de profissão. Ele mesmo admite:
— Sou goleiro desde pequeno. Como não ia muito bem na linha, fui para o gol e gostei.
Como não ia muito bem na linha, fui para o gol e gostei

Torcida por jogo pegado
Quando se disponibiliza no aplicativo, torce para que caia um joguinho mais duro, time contra time, alguma rivalidade. Ajuda a concentrar.
— Gosto de jogo pegado. Estou acostumado com jogo pegado. Em jogo de amizade, parece que a gente é ruim, toma gol bobo, né? — enfatiza.
Em jogo de amizade, parece que a gente é ruim, toma gol bobo, né?
Autoavaliação
E para quem estiver na dúvida sobre chamá-lo ou não, ainda mais em jogo pegado, vai um relato próprio (e sincero) sobre suas características:
— Gosto de lançar. Defender também. E organizar também, né? Goleiro tem que falar. Jogar com o pé.
É um goleiro completo, então?
— Completo. Não sou muito magro, mas sou completo.

*Ricardo é uma das histórias retratadas na série Profissionais Amadores. As reportagens especiais mostram a vida de pessoas apaixonadas por futebol que complementam a renda com o esporte. Clique aqui para conhecer os outros personagens.





