Com quantos anos é possível quebrar um recorde? Em quantos segundos é possível estabelecer uma nova marca? Essas duas perguntas podem e devem ser feitas a Sandro Dias, o Mineirinho. Na quinta-feira, aos 50 anos, o skatista de Ribeirão Preto escreveu mais um capítulo da sua história no rol de maiores do skate brasileiro e mundial ao descer da altura de 70m na megarrampa construída pela Red Bull na ala norte do Centro Administrativo Fernando Ferrari (CAFF), em Porto Alegre.
Ele também bateu o recorde de velocidade máxima em um skate padrão, chegando a 103,8 km/h. Representantes do Guinness World Records estiveram em Porto Alegre para ratificar o recorde de Mineirinho.
— Aliviado de um projeto muito bacana e um sonho de mais de 13 anos, e eu consegui realizá-lo. Eu estou feliz pra caramba. Ainda mais aqui, em Porto Alegre, com esse prédio icônico, que acho que era o sonho de muita gente. Assim como era o meu sonho também de andar de skate nesse prédio um dia e deu certo, deu certo. Acho que superei várias coisas na minha vida, inclusive o limite de hoje — declarou o skatista em entrevista à Zero Hora.
Ao ler, a marca já parece gigante. A olho nu, ela fica ainda maior. Nos livros de recordes, torna-se ainda mais inacreditável. Mineirinho não simplesmente quebrou um recorde, mas o fez em duas vezes. O alívio virou alegria e euforia por algo tão grandioso. Oito segundos que o transformaram em um dos deuses do skate — tempo entre o drop e a chegada à parede de 1800 cubos de espuma.
Depois de um mês de testes na estrutura, o evento promovido pela Red Bull começou com 20 minutos de atraso, mas nada que fosse o suficiente para apagar a felicidade do público que assistia do lado de fora do prédio público.
Antes de descer os 70 metros, Mineirinho havia dropado 65 metros, que já era o recorde mundial da megarrampa. Para aquecer, havia descido de 55m e 60m, apenas para iniciar os trabalhos. Dias antes do evento oficial, o skatista já havia descido 64 metros durantes testes da pista montada no CAFF.
O que se viu nesta quinta na Capital não foi algo que nasceu neste ano, ou foi idealizado há pouco tempo. Mineirinho tinha esse sonho há mais de 13 anos, e se preparou intensamente para alcançá-lo. Ainda nos anos 1980, em uma vinda a Novo Hamburgo para um campeonato amador, bateu o olho e se apaixonou pelo prédio gaúcho.
Nos últimos anos, em parceria com a Red Bull, idealizou a descida. No começo deste ano, começou os treinamentos e a preparação física e mental para se desafiar nas alturas. Ele afirmou que chegou "ao limite", e decidiu por parar após a marca atingida.
— Eu estava muito preparado mentalmente para encarar tudo isso, fisicamente, tecnicamente, mas não foi fácil ver toda aquela galera que começou a gritar lá de baixo, me dando muito suporte. Não tinha como pensar. Nem existia a palavra amarelar. Existia a palavra tentar e vai dar certo, porque eu posso garantir que tudo que eu fiz antes foi muito pior, para treinar e chegar até aqui — afirmou.
Apesar de não ser aberto ao público, muita gente acompanhou as descidas do Mineirinho na Avenida Augusto de Carvalho. Os gritos de apoio ajudaram o skatista, que é um dos grandes nomes da modalidade no mundo todo.
— Obrigado a todo mundo que me ajudou. Espero que isso sirva como motivação para que apareçam mais pessoas andando de skate, mais oportunidade para o skate, e que o governo ajude cada vez mais —finalizou.
A passagem de Mineirinho em Porto Alegre não acabou nesta quinta. Na sexta, concederá entrevista coletiva, a partir das 9h, para contar e explicar o que vivenciou na megarrampa do CAFF. O que ele viveu em 25 de setembro de 2025, na capital dos gaúchos, talvez ninguém mais viva na história.





