
Com a voz ainda ressacada da noite anterior e da manhã desta sexta-feira (26), Sandro Dias, o Mineirinho, adentrou um dos salões do Instituto Caldeira na zona norte de Porto Alegre.
— Será que tem como desligar o ar, se não minha voz vai para o saco — disse ao se acomodar na cadeira, após receber a bandeira do Rio Grande do Sul das mãos de secretários do Estado.
Na última quinta, o skatista paulista de 50 anos entrou para a história da modalidade, ao estabelecer dois recordes mundial ao dropar da altura de 70m no prédio do Centro Administrativo Fernando Ferrari na capital. Agora, as histórias de Mineirinho e de Porto Alegre estão intimamente ligadas para a eternidade.
— Nem mineiro eu sou. Eu sou descendente de mineiro, né? Eu sou paulista. Por que não virar gauchinho também? Com grande feito aqui no Rio Grande do Sul. Seria um prazer — disse em entrevista exclusiva à Zero Hora.
A segunda marca alcançada por Mineirinho ao dropar na megarrampa construída pela Red Bull, foi de velocidade máxima em um skate padrão, chegando a 103,8 km/h. Foram oito segundos que o fizeram ir da plataforma mais alta até a parede de espuma.
— O que passou na minha cabeça naqueles 8s foi ficar em cima do skate, segurar o corpo firme. Eu tentava prestar muita atenção no movimento do meu corpo durante a descida pra que ele não relaxasse e porque eu sabia que na hora da força G eu tinha que estar com ele bem firme. A única coisa que eu pensava era exatamente isso. A hora que eu passava o ponto crítico, aí eu começava a relaxar — complementou.

Apesar de ter escrito seu nome na história da cidade no dia 25 de setembro de 2025, Mineirinho tem uma longa relação com Porto Alegre. Nos anos 80, treinou no Parque Marinha e colocou na sua cabeça que desceria o CAFF. Em 2003, participou de um evento no Anfiteatro Pôr do Sol, com o prédio ao fundo (foto acima).
— Eu lembro disso aí (ao ver a foto). Era um half da Red Bull. Eu lembro que eu ganhei esse evento. Com certeza toda vez que eu olhei pra esse prédio, em qualquer situação, seja em cima da rampa, seja competindo ou passando na frente de carro, a imaginação de skatista é isso aí — pontuou.
Mantido sob sigilo por muito tempo, o paulista de 50 anos confidenciou que não contou para o seu pai sobre seu projeto.
— Ia deixar ele mais nervoso, minha mãe sabia mais ou menos, mas meu pai quando ficou sabendo não por mim, falou "por que que ele tá fazendo isso?", e quando eu fiquei sabendo disso, eu tive a oportunidade de falar pra ele, "fica tranquilo, fica tranquilo que eu tô me preparando e vai dar tudo certo, fica sossegado" — contou rindo.
Depois de descer o prédio na quinta e conceder entrevistas na sexta, o skatista ainda permanecerá na cidade para cumprir agenda nos próximos dias.


