
Laura Serra jogou a bola para o alto. A técnica Anna Danielyan, ao fundo, pulou junto com o aparelho e só pousou quando a bola foi segura pelas pernas de Laura, posicionada com o corpo virado para o solo. Nas arquibancadas, lágrimas vertiam feito chuva intensa dos olhos de Vivian Lermann, mão da ginásta.
Vivian, ao menos, não está sozinha. São muitas as mães e familiares acompanham as filhas, todos com idade até 15 anos, nas competições de ginástica rítmica dos Jogos da Juventude, disputados em Brasília.
Duas fileiras acima nas arquibancadas do Ginásio Maristão, a cena se repete instantes depois. Madalena Radeva reage em voz alta cada vez que um aparelho é lançado durante a apresentação da filha Mariana Sartori. O final é o mesmo. Lágrimas de emoção. Junto com Luísa Kroth, da Sogipa, Laura e Mariana, do Grêmio Náutico União, representam o RS na competição.
— Eu paro de respirar por um minuto e meio (tempo que dura a apresentação). Cada vez estou chorando mais — revela a médica Vivian mostrando os tremores na mão.

Após a segunda apresentação de Laura, outra mãe ofereceu um leque para Vivian se abanar. A gentileza foi aceita de bom grado até o nervosismo passar.
Além da tradutora Madalena, Mariana tem a torcida in loco do pai, do irmão caçula, da tia e de uma amiga. A tia é a responsável por abraçar a irmã nos momentos de tensão — no cenário em questão, praticamente a cada movimento.
— É muito sofrido, a boca salta. Parece que vou desmaiar. Elas treinam todos os dias por horas. É pressão é grande — justifica.
Mariana conquistou a medalha de bronze no individual geral. O Rio Grande do Sul terminou em quarto na competição por equipes.
Todas querem seguir a carreira na ginástica. Vivian já prevê a razão de sua morte.
— No meu atestado de óbito estará: mãe de ginasta — brinca.

Torcida uniformizada
Os Cuel sabem bem o que é ser parente de ginasta. Moradores de Vitória (ES) foram em peso para Brasília. Mãe, vó, tia vó, tia e irmã, também ginasta, mas fora da idade da competição. A turma, nem sempre completa, vai a todas as apresentações no Brasil e na América para ver as apresentações de Agatha.
— Mês que vem vamos para o Chile. Nem sei o campeonato, eu só vou. É sofrido demais. Eu tremo, passo mal — diz a avó, Alvaleria.
— Na ginástica é um paitrocínio. Acaba não tendo torcida, só tem familiares — completa a tia Pollyana, também assessora de imprensa da sobrinha.
Pamella, a mãe, viaja para ajudar a filha em pensamento. Na hora da competição, não resiste, sai do ginásio, vai fumar um cigarro. Impossível aguentar à apresentação.

Os Cuel desfilam pelos ginásios do Brasil e da América uniformizadas. Na frente a foto das duas ginastas, às costas os cargos ocupados: mãe de ginasta, vó de ginasta e assim por diante. A família GRD sofre, mas sofre unida.

