
Às vezes, uma nova cidade é apenas uma nova escala da carreira de um jogador. Em outros casos, a nova estada vira casa. Alguns forasteiros que passaram por Inter e Grêmio estão há décadas no Rio Grande do Sul, fazem parte da história do futebol gaúcho.
Na prévido do clássico 448, vizinho do 20 de setembro, Zero Hora conta a história do ex-zagueiro Ancheta e do ex-atacante Fabiano, ídolos da dupla Gre-Nal, e que criaram vínculos eternos com o Estado e abraçaram as tradições gaúchas.
Respeito e carinho que fazem ficar

Uma única característica expõe Atilio Genaro Ancheta como um estrangeiro. Apesar dos 54 anos de vida no RS a serem completados em novembro, o sotaque o entrega, como um passe mal feito na frente da área — daqueles que o zagueiro nunca cometia em seus tempos de Grêmio e da seleção de seu país.
Uruguaio da pequena Florida, chegou de mala e cuia em Porto Alegre em 1971. Mala para defender o time gremista. Cuia pela tradição charrua, muito próxima da gaúcha.
Zagueiro responsável por marcar Pelé na Copa de 1970, não imaginava criar laços indestrutíveis com o solo gaúcho. Saiu do Grêmio em 1979, ainda jogou na Colômbia e no Nacional-URU, antes de fixar residência por aqui.
Os costumes são parecidos, o que facilitou
ATILIO GENARO ANCHETA
Ex-jogador do Grêmio
— O respeito e o carinho que recebi aqui me deixaram muito tranquilo para ficar. Me acostumei. Foi inconsciente, natural. Sai do Uruguai muito cedo e perdi um pouco do vínculo para me prender — relata Ancheta, 78 anos.
Os caminhos da vida facilitaram a permanência. Ancheta se casou pela segunda vez, vieram filhos, abriu negócios e iniciou a carreira de cantor em palcos gaudérios. Seus boleros atraíram grande público.
São três anos sem ir ao Uruguai. Uma visita está programada para os próximos meses.
— Nossos costumes são parecidos. O churrasco, com carne gaúcha, chimarrão. Gosto muito do carreteiro, aqui ele é mais seco. No Uruguai tem o guiso, que é mais molhado. Então os costumes são parecidos, o que facilitou.

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Assustado apenas pelo frio

Nem todos têm essa facilidade. Caso de Fabiano Souza, o Fabiano, ou ainda o "Uh" Fabiano. Mineiro da pequenina Rubim, desembarcou com seus pertences no Beira-Rio em 1996. Antes, fez escala na gigante São Paulo. Encontrou em Porto Alegre o meio termo, entre a tranquilidade da cidade pequena e o agito da maior cidade do Brasil.
— Fui adotado por vocês (gaúchos). Vim de São Paulo onde tudo é grande, que não se para. Porto Alegre é uma capital com o olhar do interior, uma cidade tranquila. Vi esse lado quando cheguei — explica.
A comida foi aprovada. O desempenho em campo o deixou em alta com a torcida. O difícil foi o que estava em baixa, a temperatura. Fabiano rengueava de frio:
Aproveitei para conhecer a cultura. Passei a tomar chimarrão.
FABIANO SOUZA
Ex-jogador do Inter
— Eu morava no Beira-Rio. O frio assustava. O inverno parecia mais rígido naquela época. Eram meses e meses de frio. Falavam com os roupeiros do clube, eles me diziam que eu ia me acostumar. Foi a única coisa difícil.
Após se aposentar e rodar por um bocado de lugares após sair do Inter em 2002, voltou para Porto Alegre. Por um tempo, trabalhou no Relacionamento Social do Inter.
Percorreu as estradas gaúchas em encontros com os colorados de todas as querências. Mais do que um trabalho, a experiência serviu como aprendizado.
— Aproveitei para conhecer a cultura. Passei a tomar chimarrão. Aprendi que não se toma sozinho, que tem de ser compartilhado. Só tenho coisas boas para falar para os meus amigos que são de fora — destaca.

Outros ex-jogadores do Inter nascidos fora do RS que moram no Estado
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