
Pedro Lucas é alto e forte, como se espera de um jogador de vôlei de 15 anos. Apesar de todo o corpanzil, parecia uma criança pequena na pista de velocidade disponibilizada para os atletas dos Jogos da Juventude e instalada no Centro Internacional de Convenções do Brasil (CICB), em Brasília. Ele corria uma vez, olhava sua velocidade, saia por trás da pista e perguntava. “Posso ir de novo?”.
A resposta sempre era “Sim, claro, quantas vezes quiser”. E foram muitas. A pista surgiu da ideia do gaúcho Fabiano Peçanha de atrair os jovens para o esporte e de pinçar novos talentos. Com duas Olimpíadas no currículo, tem um olhar clínico para perceber futuros atletas.
— Gostei demais. É diferente. Dá vontade de repetir para se superar. Gostei da minha velocidade, mas dá para melhorar — explica Pedro Lucas.
O jogador de vôlei do Tocantins cravou o tempo de 24,4 km/h enquanto a reportagem esteve na pista. Minutos depois, repórter e Pedro Lucas se encontram novamente nos corredores do CICB.
— Passei dos 25 km/h — revela orgulhoso.
Peçanha se diverte com o entusiasmo da garotada. Conta que desde o início dos Jogos da Juventude mais de 3 mil jovens aferiram suas velocidades no equipamento. Quando as provas de atletismo do evento foram realizadas, houve atletas que saíram da competição direto para a pista de velocidade para não perderem o aquecimento e terem a dimensão exata do quanto rápido são.
Como é a pista
A pista tem 30 metros de comprimento. Nos primeiros 15 metros um radar flagra a velocidade, que, no caso, nunca é em excesso. A outra metade da distância é para a desaceleração. É potência pura. Velocidade na sua essência.
— Dois aspectos são importantes. Pelos resultados, a gente vê que a velocidade é importante em todos os esportes. E segundo que o talento não aparece no melhor resultado, mas com quem tem maior potencial de evolução — analisa Peçanha.
O recorde da pista

A visão de quem gastou muita sola de sapatilha na pista faz a diferença. A velocidade mais alta de um jovem ou uma jovem pode ser próxima do limite. Enquanto alguém menos rápido, mas com movimentos ainda descoordenados apresenta um maior espaço para crescimento.
— A gente faz a análise de dados e mapeamento dos talentos. São muitos talentos brutos que precisam ser lapidados. Vamos enviar os dados ao COB — analisa Jaqueline Weber, atleta dos 800m, noiva de Peçanha e que toca o projeto com ele.
O recorde durante os Jogos da Juventude foi conquistado no domingo (21) por um atleta do handebol. Nicolas Barbosa de Sousa atingiu 32 km/h.
— Uma bala! Muito talentoso — anima-se Jaqueline.
Humano mais rápido já nascido, Usain Bolt atingiu 44 km/h como velocidade máxima. A marca, porém, foi alcançada após 60 metros da largada.
Ideia na velocidade da luz
Durante o Mundial de Atletismo de 2009, Peçanha passeava pelas ruas de Berlim, na Alemanha, acompanhado do pai e do irmão. Ao longe avistaram uma muvuca. Ao se aproximarem, viram um batalhão de pessoas se divertindo na pista de velocidade. Eureka! Temos que levar isso para o Brasil, foi o pensamento que cruzou na velocidade da luz a cabeça dos Peçanha.
O projeto virou realidade. O equipamento é vendido para escola e prefeituras. Pode ser instalado em qualquer quadra esportiva. O custo gira em torno de R$ 29 mil.
— É um equipamento para educação esportiva. O mais legal é que ninguém vem obrigado. E pode-se correr quantas vezes quiser — diz Peçanha.
Pedro Lucas que o diga. A pista de velocidade virou o seu carrossel.



