
Você está sendo filmado. E reconhecido. Ao menos quando vai a jogos na Arena e no Beira-Rio. Desde junho de 2025 apenas torcedores cadastrados com a biometria facial podem ingressar nos dois maiores estádios gaúchos.
A implementação alinha Grêmio e Inter à Lei Geral do Esporte. A legislação vigente desde junho de 2023 impõe que todos os estádios brasileiros com capacidade superior a 20 mil pessoas tenham a tecnologia funcionando a pleno desde junho deste ano.
Mais de 300 mil rostos
Os primeiros testes na capital gaúcha começaram no início do ano. Até agora, mais de 300 mil rostos foram cadastrados no Rio Grande do Sul. Após problema nas primeiras partidas em que o reconhecimento facial foi utilizado, tanto Inter quanto a Arena-Porto-Alegrense mostram-se satisfeitos com os resultados obtidos nos jogos mais recentes da dupla Gre-Nal.
Na prática, a biometria acaba com o ingresso físico e a venda em bilheterias. Também agiliza a entrada do torcedor no estádio. Outro aspecto por trás da medida está na busca por maior segurança nas principais casas esportivas do país e o combate ao cambismo.
Aumento na porcentagem de sucesso no Beira-Rio
Desde a publicação da portaria da Lei Geral do Esporte, o Inter iniciou os debates para a implementação da nova operação. Os primeiros testes ocorreram em partes setorizadas do Beira-Rio. Este ano, após a instalação das catracas, o sistema entrou em funcionamento na partida contra o Fluminense pelo Brasileirão. Naquele confronto, 89% dos acessos com biometria facial não apresentaram problema. Diante do mesmo Fluminense, pela Copa do Brasil, na semana passada, o índice de sucesso chegou a 97%.
— No ano de 2024, a gente fez testes em algumas porções do estádio, foi adaptando o sistema e vem trabalhando nesse sistema durante o ano de 2024. Este ano, partimos mais para uma parte de comunicação para os nossos sócios, para os nossos torcedores, comunicando como seria o acesso a partir de junho — explica André Dalto, vice de administração colorado.

Dos 150 mil sócios, 80% realizaram o cadastro. Não associados cadastrados ao sistemas somam 50 mil.
O clube estuda para zerar os problemas. Foi verificado que os principais erros acontecem por falhas no cadastro. Para ajudar os torcedores, foi criada uma central de atendimento, localizada ao lado da central de atendimento ao sócio. No local fica uma equipe para informar e ajudar os colorados a comprarem o ingresso e realizarem a biometria facial.
Cenário parecido na Arena
A situação se repete na Arena. A atualização de cadastro é o principal ponto que ainda causa problema na entrada do torcedor no estádio desde o começo da utilização do reconhecimento facial no estádio. Muitos não possuem mais acesso à conta de e-mail em que estão cadastrados, explica Marcone Luis Thiesen, gerente de Tecnologias da Informação e Comunicação da Arena.
Para ajudar o torcedor, a qualidade da internet na esplanada foi melhorada. A antiga bilheteria leste foi transformada em centro de ajuda para quem tem dificuldade para fazer se cadastrar ou enfrentou problemas na utilização da tecnologia.

Melhorias no sistema
Depois de muitas reclamações na partida contra o Santos, o sistema foi agilizado e a quantidade de adversidades com o sistema foi quase zerada.
— Ainda tem uma questão de cultura do torcedor. No jogo contra o Alianza Lima nós tivemos 46 mil pessoas já com a obrigatoriedade da biometria facial. Então, esse jogo para nós foi a nossa melhor experiência
Velocidade aumentou
A velocidade para o ingresso nos estádios aumentou sensivelmente. A tecnologia beneficiará os torcedores que gostam de ir para as arquibancadas mais próximo do início das partidas. Na Arena, o fluxo de ingresso se intensifica 20 minutos antes de a bola rolar — cerca de 70% dos torcedores entram neste momento — e tem seu pico cinco minutos antes do apito inicial.
O tempo médio para a entrada dos colorados no Beira-Rio é de quatro segundos. Na Arena, de três segundos. O índice está perto da média. A Bepass, empresa responsável pela implementação do sistema em seis estádios brasileiros, entre eles a casa gremista, apontou que cerca de sete torcedores, em média, entravam por catraca a cada minuto quando existia o ingresso físico. Com o reconhecimento fácil, a capacidade aumentou para 18 pessoas.
— Vai ficando mais rápido, a pessoa quando chega no estádio pela primeira vez não sabe como se posicionar na frente do equipamento, qual a distância que ela se posiciona para ser reconhecida. Já no segundo ou terceiro jogo, ele já sabe qual é a distância, e as coisas começam a fluir mais e ficar mais rápido — argumenta Ricardo Cadar, fundador e CEO da Bypass.

Questões de segurança
A busca por maior segurança nos estádios é um dos pontos cruciais para a adoção da biometria facia. Nos tempos de ingresso físico e da utilização da carteirinha de sócio, era possível que o torcedor que ingressou no estádio não fosse o mesmo que adquiriu o bilhete ou se associou ao clube. A situação dificultava a identificação de pessoas menos comportadas nas arquibancadas.
Em São Paulo
Agora, o subterfúgio não é mais possível. Sabe-se exatamente o nome de todos que estão no estádio. No Allianz Parque, estádio do Palmeiras, a Bepass envia automaticamente à Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo todas as informações de todo o CPF que compra ingresso e ingressa no estádio. O sistema está em operação desde o ano passado. No período foram realizadas 270 prisões de pessoas com mandado de prisão em aberto e que não poderiam frequentar jogos de futebol.

Inibe-se também a atuação de cambistas. Ainda que a ação deles tenha sido reduzida em tempos recentes, a prática seguia acontecendo. Quem atua na função, em geral, se cadastrava como sócio torcedor de maior graduação, para ter prioridade na compra de ingressos para revendê-los. Com o reconhecimento facial, é preciso vincular o CPF da pessoa, dificultando a ação de atravessadores. Afinal, agora nos estádios, você está sendo filmado e reconhecido.


