
Um clássico nunca é apenas uma partida de futebol. A rivalidade dentro e fora de campo coloca esses duelos em outra prateleira. Mas quando a disputa vale uma vaga na principal competição do Estado, o peso é ainda maior.
No domingo (17), Aimoré e Novo Hamburgo decidem quem estará no Gauchão 2026. O encontro será no Estádio Cristo Rei, em São Leopoldo, pelo segundo jogo das semifinais da Divisão de Acesso.
O Índio Capilé tenta retornar à elite do futebol gaúcho após o rebaixamento em 2023. O Nóia, por sua vez, busca se reerguer na temporada seguinte à queda. No primeiro duelo, vitória anilada por 3 a 1, o que permite ao Novo Hamburgo perder por até um gol de diferença. O Aimoré precisa vencer por dois gols para levar a decisão aos pênaltis.
Na outra semifinal, o Inter-SM venceu o Veranópolis por 2 a 1, no Estádio Antônio David Farina, e agora decide a vaga em casa. Os dois finalistas da competição garantem o acesso ao Campeonato Gaúcho.
A força no Cristo Rei
No primeiro turno, o Aimoré fez uma campanha que o credenciou entre os favoritos ao título. A equipe perdeu apenas uma partida e sofreu cinco gols. Nas quartas de final, passou pelo Lajeadense com duas vitórias. Mas quis o destino que a segunda derrota viesse justamente contra o maior rival, já na fase de mata-mata. Internamente, o clube busca retomar a confiança para reverter o placar.
— Fizemos a análise do jogo para entender o que aconteceu. O time mostrou regularidade durante a competição. Queremos retomar o trabalho da forma que vinha sendo feito para voltar a jogar como sempre jogamos — analisa o vice-presidente de futebol do Aimoré, Fabiano de Mari.
O fator local pode ser um aliado do Índio Capilé na tentativa de virada. O time comandado por Paulo Henrique Marques ainda não perdeu em seus domínios. São seis vitórias em oito jogos. Com promoções de ingressos e entradas gratuitas , o estádio deve receber casa cheia no domingo (17).
— O time joga junto com a torcida. O torcedor esteve presente durante todo o campeonato. Temos certeza e convicção de que eles vão nos apoiar do primeiro ao último minuto. Vamos lotar a casa para fazer a pressão em busca da virada — afirma o vice-presidente.
Da instabilidade ao favoritismo
Apontado como um dos favoritos ao acesso no início da competição, o Novo Hamburgo começou com duas vitórias seguidas. Mas, depois de três tropeços, trocou Daniel Franco por Marcelo Caranhato no comando da equipe. O novo treinador, no entanto, esteve à beira do campo apenas uma vez antes de deixar o clube rumo ao Azuriz, da Série D do Campeonato Brasileiro.
Sem tempo para errar e com o acesso em risco, a diretoria recorreu a um nome de peso: Rogério Zimmermann. Velho conhecido do executivo de futebol Luís Fernando Hannecker, o técnico chegou com a missão de, em pouco tempo, reorganizar a equipe e conquistar a classificação para as quartas de final.
Em 11 jogos sob seu comando, o Anilado venceu seis, empatou quatro e perdeu apenas um, retomando o rumo planejado no início da temporada.
— Já vínhamos há muito tempo trabalhando por esse momento. A melhor forma de trabalhar nesse momento é com simplicidade, com respeito às equipes adversárias. Procuramos ter um cuidado com os detalhes, dentro e fora do campo, que antecedem o jogo. Nosso projeto sempre foi esse, com o objetivo de conquistar o acesso — afirma Hannecker.
Assim como o rival, o Novo Hamburgo vê o apoio da torcida como peça-chave na busca pela vaga. Para o jogo de volta, cerca de 200 torcedores devem acompanhar o time fora de casa. A diretoria disponibilizou transporte saindo do Estádio do Vale até a cidade vizinha.

