
O Fluminense abriu a segunda-feira de surpresas no Mundial de Clubes e eliminou a favorita Inter de Milão nas oitavas de final do torneio organizado pela Fifa. O Desenho Tático de Zero Hora explica como foi a estratégia montada por Renato Portaluppi para parar o atual vice-campeão europeu.
Apesar da troca de comando técnico, com a saída de Simone Inzaghi e a chegada de Cristian Chivu, a Inter manteve a estrutura tática dos últimos anos, atuando com três zagueiros e uma dupla de ataque formada por Lautaro Martínez e Marcus Thuram.
Vendo a formação italiana, Renato Portaluppi optou mexer na estrutura do Fluminense para se adaptar ao adversário. O ponta Canobbio deixou a equipe para o retorno de Tiago Silva.
A ideia foi montar uma linha de três zagueiros para ter dois, Ignacio e Freytes, combatendo Lautaro e Thuaram, com Thiago Silva na sobra. Samuel Xavier, assim, batia com as subidas do ala Dimarco e Renê cuidava do perigoso Dumfries.
Mais do que solidez na linha defensiva era preciso cuidar dos espaços à frente dela. É comum que os centroavantes da Inter recuem para se aproximarem dos meio-campistas.
Assim, Renato permitia que Freytes e Ignacio fizessem perseguições para manter o trio de meio cuidando dos meio-campistas da Inter. O trio de volantes do Flu teve Bernal, Martinelli e Nonato sempre ativos para impedir que os italianos atacassem a chamada entrelinha.
Cano e Arias pelos lados
Nos momentos de maior pressão, a Inter costuma liberar seus zagueiros de lado — Darmian e Bastoni iniciaram a partida — para se adiantarem com a bola tentando encontrar os passes nos alas. A forma para conter isso feita por Renato foi ter Cano e Arias voltando pelos lados.
Os dois jogadores, inicialmente os atacantes do 5-3-2 do Flu, retornavam pelos lados. A equipe se postava em duas linhas de cinco sem ter um atacante adiantado. Era um sacrifício total para fechar espaços.

A estratégia funcionou. No primeiro tempo, além do gol de Cano, o Fluminense teve a chance com Samuel Xavier em rebote de Sommer após chute de Arias. Do outro lado, Fábio não fez nenhuma grande defesa nos primeiros 45 minutos. Os dados mostram que cada time teve cinco finalizações na primeira etapa.
Inter aumenta pressão
A Inter seguiu com dificuldade para entrar na área do Fluminense no segundo tempo. Os italianos conseguiram pressionar com maior força apenas na segunda metade da etapa final, quando Lautaro acertou a trave e o zagueiro Acerbi perdeu uma chance dentro da pequena área.
Renato fez as trocas e apostou no centroavante Everaldo para substituir Cano. Naquele momento, a Inter já atacava com o meia Carboni e o atacante brasileiro Luis Henrique abertos pelos lados. Di Marco executava um papel mais central e o brasileiro Carlos Augusto entrou como zagueiro também aparecendo no ataque pela esquerda.
Cansado, Arias já não conseguia dar o suporte defensivo, mas seguia sendo importante para reter a bola. Por uma sugestão de Thiago Silva flagrada pela transmissão da Fifa, o centroavante Everaldo passou a marcar aberto pela direita, deixando Arias adiantado. Renato aceitou a sugestão do zagueiro e optou por essa formação.
O Fluminense teve a sustentação para evitar o gol da Inter e chegou ao segundo com Hércules, nos acréscimos. O 2 a 0 garantiu os cariocas nas quartas de final do Mundial para encarar o surpreendente Al Hilal.
Contra os sauditas, é provável que Renato precise de uma postura mais ofensiva. A estratégia defensiva diante da Inter fez o Fluminense se tornar o primeiro brasileiro a derrotar um europeu em mata-mata do Mundial de Clubes desde o Corinthians de 2012.




