
No geral, o Mundial de Clubes deu certo. Pela qualidade dos jogos e dos estádios e pelo sentimento provocado em jogadores e torcedores, é possível dizer que a competição passou no teste.
Porém, alguns pontos importantes precisam ser melhorados para a Copa do Mundo 2026, como os jogos marcados em horários de forte calor, a alta quantidade de jogos suspensos por raios, o protocolo desastroso das entrevistas pós-jogo e os atrasos.
Confira abaixo cinco coisas que deram certo e cinco que deram errado no Mundial de Clubes:
O que deu certo:
1) Europeus compraram a ideia
Ao contrário do que muitos supunham, os europeus levaram a sério o Mundial, não tratando o torneio como uma espécie de pré-temporada ou uma competição festiva. Isso ficou evidente nas comemorações e sobretudo nos jogos. O clima tenso da final entre PSG e Chelsea foi um exemplo disso. Todo mundo queria muito vencer.
2) Boas arbitragens
Um dos pontos altos do Mundial de Clubes foi o alto nível das arbitragens, com pouquíssimos lances polêmicos e nenhum erro considerado clamoroso. Na maioria das vezes, os árbitros não foram assunto nos debates sobre os jogos.
3) Estádios de qualidade
Mesmo tendo sido projetados para jogos de futebol americano, os estádios norte-americanos são de muita qualidade, proporcionando conforto e uma boa experiência para jogadores e torcedores. Todos eles têm corredores, escadarias e rampas largas, facilitando o fluxo de acesso. Os vestiários e áreas de imprensa também são de primeira qualidade.
4) Estrutura do país
Não é uma surpresa, tratando-se de Estados Unidos, a maior economia do mundo. Porém, como o Mundial de Clubes é uma espécie de evento-teste para a Copa do Mundo 2026, este ponto é importante de ser destacado. A rede hoteleira, as vias no entorno dos estádios e os aeroportos americanos são top de linha. O país está pronto para o Mundial.
5) Energia dos brasileiros
Todos os times brasileiros passaram da fase de grupos. Mesmo o Botafogo, que caiu nas oitavas, teve a honra de bater o poderoso PSG. Já o Flamengo pode dizer que derrotou na segunda rodada o campeão Chelsea. O Fluminense, por sua vez, venceu a Inter de Milão e fez história ao alcançar a semifinal.
Porém, o Brasil fez bonito não apenas dentro de campo. Merece destaque ainda a torcida brasileira, que deu show nas ruas e estádios norte-americanos, dando uma energia de Copa do Mundo para o evento. Cabe um elogio ainda, pelos mesmos motivos, às torcidas africanas do Al-Ahly-EGI, do Espérance-TUN e do Wydad-MAR.
O que deu errado:
1) Jogos sob calor extremo
O verão norte-americano é extremamente quente. Mesmo assim, a Fifa marcou vários jogos para às 12h e às 15h, pelo horário local, prejudicando a experiência de torcedores, jornalistas, mas, principalmente, dos jogadores, que precisavam correr em alta intensidade em altas temperaturas.
Um repórter brasileiro chegou a precisar de atendimento médico por desidratação.
O problema promete ser amenizado na Copa do Mundo, com a realização de mais jogos em estádios com teto retrátil e sistema de climatização.
2) Jogos suspensos por raios
Os Estados Unidos têm um protocolo meteorológico que determina a suspensão dos jogos por pelo menos 30 minutos em caso de incidência de raios em um perímetro de 13 quilômetros ao redor do estádio. Como ocorrem muitos temporais no país nesta época do ano, várias partidas foram paralisadas, prejudicando o jogo e a competição. Benfica x Chelsea, por exemplo, nas oitavas de final, chegou a ficar suspenso por quase duas horas.
— Se é uma questão de segurança, então talvez este não seja o local adequado para esta competição _ protestou o técnico do Chelsea, Enzo Maresca.
3) Atrasos
A semifinal entre PSG e Real Madrid começou com 10 minutos de atraso porque os times ficaram presos em um engarrafamento nas imediações do MetLife, devido a um acidente de trânsito. Na véspera deste jogo, a coletiva oficial do técnico Xabi Alonso foi cancelada porque a delegação merengue chegou atrasada a Nova Jersey, uma vez que o aeroporto de Newark estava fechado devido ao mau tempo. Pelo mesmo motivo, várias coletivas começaram atrasadas.
Ainda que cada caso possa ter uma justificativa plausível, uma coisa é fato: nunca vi nenhuma entrevista e muito menos um jogo começar com um segundo de atraso sequer em uma Copa do Mundo. É fato que o chamado "padrão-Fifa" foi deixado de lado neste Mundial de Clubes.
4) Orientações confusas
Ao longo de toda a competição, os jornalistas recebiam orientações confusas e contraditórias sobre o que era permitido e o que não era. No estádio Hard Rock, em Miami Gardens, por exemplo, o portão de acesso mudava todo dia. Em algumas sedes, era proibido tirar fotos e gravar vídeos das entrevistas coletivas. Em outras, era liberado. No último jogo disputado no estádio Lincoln Field, na Filadélfia, uma pessoa inventou do nada que era proibido colocar microfone nas caixas de som, algo que foi permitido em todos os outros jogos.
5) As entrevistas pós-jogo viraram uma bagunça
O novo protocolo de entrevistas pós-jogo da Fifa foi um desastre. A entidade aboliu a tradicional zona mista, adotada com sucesso desde a Copa de 1994, em que todos os jogadores são obrigados a sair do estádio por um corredor e a passar pelos jornalistas credenciados, cabendo a cada atleta optar por conceder entrevistas ou não. No Mundial de Clubes, por sua vez, apenas três jogadores foram selecionados por clube para atender a imprensa após os jogos em "cercadinhos" sem a mínima condição de estrutura.
Como sempre havia muitos jornalistas e não havia microfone para perguntas, os questionamentos eram feitos aos gritos. Muitas vezes não havia caixa de som, o que tornava difícil para os jogadores ouvirem o que era perguntado e mais difícil ainda para os jornalistas escutarem a resposta.
Além disso, após tomar 4 a 0 do PSG na semifinal, o Real Madrid simplesmente mandou a Fifa às favas e enviou apenas o zagueiro Eder Militão para o "cercadinho".
Foi um desastre.


