Engana-se quem pensa que futebol de botão — ou futebol de mesa — é apenas uma brincadeira. Ainda que com leveza, a modalidade é levada a sério por muitos entusiastas, que defendem os princípios do esporte.
Entre a última quinta-feira (1º) e o próximo domingo (4), 240 competidores participam da 35ª edição do Campeonato Brasileiro de Futebol de Mesa, na Sogipa, em Porto Alegre. O Inter está representado no evento por 13 atletas.
O torneio é disputado individualmente, com partidas simultâneas de 20 minutos nas 66 mesas distribuídas pelo salão principal da Sogipa. A competição é dividida em três categorias:
- Sub-18 (para menores de idade): 16 participantes
- Adulto (entre 18 e 47 anos): 128 participantes
- Master (48+): 96 participantes
Inter na mesa
Filiados à Feci (Fundação de Educação e Cultura do Inter), os representantes colorados participam das categorias adulto e máster. O grande destaque da equipe é Kevin Kopper, 28 anos, bicampeão sul-brasileiro de futebol de mesa.
— A gente está numa evolução boa, perante os demais destaques. O Rio Grande do Sul ainda caminha a passos curtos. Mas agora, após esse evento sendo realizado aqui, acho que o pessoal vai nos respeitar mais e a gente vai pegar mais bagagem para, futuramente, disputar títulos com outras grandes equipes no cenário do país — avalia Kevin.
Dos campos às mesas, outros times como Flamengo, Vasco, Corinthians e Palmeiras também participam da modalidade. No sul do país, clubes como Londrina, Avaí e Figueirense também contam com representantes.
Encontro de gerações

Devido à ampla distribuição de idades nas categorias, o torneio promove um verdadeiro encontro de gerações, ainda que o futebol de botão tenha perdido espaço entre os jovens nas últimas décadas, por conta do avanço da tecnologia e dos jogos digitas. No evento, encontram-se meninos que ainda nem entraram na adolescência e idosos com quase 80 anos.
— Eu acho que a garotada tem muito mais facilidade de assimilar o jogo do que o adulto ou um idoso — considera o paulista Harutiun Muradian, conhecido como Mura, 72 anos, botonista desde 1979 e três vezes campeão nacional na categoria máster.
Dentre os participantes do torneio em Porto Alegre, o mais novo é Benício Bertolino Calantoni, com apenas 8 anos de idade. Até a tarde do segundo dia de competição, conforme seu pai, Saulo, ele já havia vencido uma partida e empatado outras duas.
Natural de Suzano (SP), o pequeno precisa utilizar um banquinho, já que não tem altura suficiente para enxergar a mesa. Ao falar sobre seu estilo de jogo, mas evitando entregar sua estratégia aos adversários, Benício falou:
— Prefiro jogar pelo lado, mais aberto, é melhor para conduzir e chegar no gol.
Regras do Futebol de Mesa de 12 toques
- Cada partida tem dois tempos de 10 minutos;
- Estando um jogador com a posse de bola, este terá direito a um limite coletivo de 12 toques, sendo que até antes de atingir o décimo segundo toque precisa chutar ao gol. Caso não consiga, será punido com tiro livre indireto cobrado do local onde a bola estiver estacionada;
- É preciso avisar o adversário quando for finalizar ao gol;
- A posse de bola é perdida caso ela toque por último no botão adversário;
- Obedecido o limite coletivo de 12 toques, cada botão tem direito a três toques ou acionamentos consecutivos. Se ocorrer um quarto acionamento consecutivo, o jogador é punido com tiro livre indireto cobrado onde ocorreu o toque excedente;
- Não há juiz: em caso de dúvida em algum lance do jogo, os competidores precisam entrar em um consenso para definir o que deve ser marcado (lateral, gol, tiro de meta, tiro livre, etc).
O Campeonato Brasileiro
Esta é a primeira vez que Porto Alegre sedia o Campeonato Brasileiro de Futebol de Mesa (12 toques), que está em sua 35ª edição e ocorre anualmente. Para participar, é preciso se associar a um clube filiado a uma federação regional, que por sua vez é ligada à Confederação Brasileira.
Formato
Os atletas são divididos em grupos e divisões desde o início do torneio. As eliminações começam a ocorrer somente no último dia, com os últimos classificados aos mata-matas. Dependendo da categoria, o botonista que chegar à final pode disputar em quatro dias até 31 jogos.
Premiação
Os vencedores e destaques são premiados com medalhas e troféus. Não há premiação em dinheiro.
Transmissão ao vivo

A competição conta com o apoio do portal Mundo Botonista, criado e comandado por Jeferson Carvalho, que competiu em alguns campeonatos e ficava incomodado com a ausência de transmissões e divulgações do torneio até pouco tempo atrás.
Em seu canal do Youtube são transmitidos um jogo por rodada e ainda breve lances do ambiente geral das demais partidas. Ali, o professor da rede estadual do Paraná, Jeferson atua como narrador, comentarista e repórter, contando com apoio de convidados:
— Ao olho inocente, parece que é simples, o cara vai tocando o botão e chega uma hora ele vai chutar para o gol. Não, tem muita coisa invisível acontecendo no jogo. E eles todos se conhecem, até porque assistem aos jogos, as transmissões. Há muita tática, muito desse estudo do jogo do adversário e da percepção do momento também.
*Produção: Leo Bender



