
Ednaldo Rodrigues foi afastado da presidência da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) pela segunda vez. A decisão foi feita nesta quinta-feira (15) pelo do desembargador Gabriel Zefiro, do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ). O mesmo havia ocorrido em 2023.
A decisão ocorreu em função de uma assinatura supostamente falsa de um dos vices da CBF, Coronel Nunes, em um acordo que dava poder ao baiano. A destituição ocorre três dias depois de Ednaldo anunciar Carlo Ancelotti como novo treinador da Seleção Brasileira.
Quem fica no comando da entidade máxima do futebol brasileiro, para convocar eleições, é o vice-presidente Fernando Sarney, que entrou com petições na Justiça durante as últimas semanas para tirar Ednaldo do poder.
Esse é mais um fato que entra para a prateleira de polêmicas e escândalos de Ednaldo no cargo, que ocupava desde 2021. Neste período, a Seleção Brasileira passou meses sem treinador definido e, ao todo, teve cinco técnicos, sendo dois interinos.
Relembre como foi a passagem de Ednaldo no comando da CBF
Ednaldo Rodrigues chegou ao poder da CBF provisoriamente em junho de 2021, depois do afastamento de Rogério Caboclo, sob acusações de assédio sexual e moral. No ano seguinte, foi efetivado para seguir no cargo até março de 2026. Assim, tornando-se o primeiro negro e nordestino — da Bahia — a ocupar a função
Único candidato
Na eleição de 2025, por ser o único candidato, foi eleito de maneira unânime para seguir no cargo até março de 2030. Esse novo mandato está previsto para começar apenas em fevereiro de 2026.
Primeiro afastamento
Ednaldo Rodrigues foi afastado pela primeira vez da presidência da entidade em dezembro de 2023. A suspeita era de que havia irregularidades na eleição que o levou ao cargo.
Na ocasião, a Fifa prontamente enviou um alerta dizendo que “qualquer influência de terceiros” sobre os integrantes da Confederação Brasileira de Futebol poderia resultar em sansões. Um mês depois o dirigente voltou ao comando da entidade, por decisão de Gilmar Mendes, do STF.
Outros pedidos de destituição
Na última quarta-feira (7), porém, o pedido de afastamento de Ednaldo Rodrigues da presidência da CBF foi negado pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Em nota, a CBF afirmou que "recebeu com serenidade a decisão do Supremo Tribunal Federal de negar peremptoriamente" e que confia plenamente na Justiça brasileira.
O magistrado considerou "incabível" a solicitação apresentada pela deputada federal Daniela do Waguinho (União Brasil-RJ) em petição na segunda-feira (5).
Gilmar Mendes também negou a suspensão da homologação do acordo assinado no início deste ano que manteve Ednaldo Rodrigues na presidência, pedido feito por Fernando Sarney, vice-presidente da CBF, nesta quarta.
O ministro alega que não há previsão legal para que a deputada e o vice participem do tipo de ação que discutiu e homologou o acordo que manteve o presidente no comando da entidade.
Desempenho da Seleção Brasileira
Logo após Ednaldo assumir a presidência, se iniciou a Copa América no Brasil, ainda em meio às limitações impostas pela pandemia. Comandada por Tite, a Seleção Brasileira chegou à final do torneio, mas acabou com o vice, após derrota para a Argentina, no Maracanã.
Nas Eliminatórias para a Copa do Mundo do Catar, a Amarelinha seguiu seu bom desempenho de antes da chegada de Ednaldo ao comando. Classificou ao Mundial de 2022 de maneira invicta, com 45 pontos em 51 disputados.
Copa de 2022
No Mundial do Catar, o Brasil passou em primeiro do grupo que tinha Sérvia, Suíça e Camarões, com seis pontos. Nas oitavas, eliminou a Coreia do Sul, por 4 a 0. Acabou desclassificado para a Croácia, nos pênaltis, nas quartas de final.
A eliminação marcou também o último jogo de Tite no comando da Amarelinha. O treinador já havia anunciado que deixaria a função após aquela Copa.
Busca por treinadores
Mesmo sabendo da saída de Tite desde antes do Mundial, a CBF demorou para anunciar um novo nome. À espera de Ancelotti, que tinha contrato com o Real Madrid, os dirigentes optaram por chamar provisoriamente Fernando Diniz para a função, mesmo essa sendo dividida com o Fluminense, seu clube na época.
Antes disso, nos dois primeiros jogos após a Copa, Ramon Menezes, também como interino, comandou a Amarelinha. Os resultados com Diniz não agradaram e, por tanto, sua efetivação não foi concluída.
A ideia era que Ancelotti assumisse em junho de 2024, assim que terminasse seu vínculo com o Real Madrid, para comandar a seleção na Copa América. Passado um ano, no entanto, tudo mudou: o treinador permaneceu no time espanhol e ainda estendeu seu vínculo.
Veio então Dorival. Depois de bom desempenho com Flamengo e São Paulo, o treinador foi contratado pela CBF para comandar a Seleção nas Eliminatórias e na Copa América. No entanto, o desempenho da Amarelinha seguiu abaixo, com eliminação precoce no torneio sul-americano.
Depois da demissão de Dorival, em março, a CBF lutou para conseguir um novo comandante para a Seleção. Após uma longa novela, o sonho antigo de Ednaldo, Carlo Ancelotti foi anunciado como treinador da Seleção Brasileira na última segunda-feira (12).



