
Há um ano, o Rio Grande do Sul passava pela maior tragédia climática de sua história. Por conta das chuvas e das más condições dos programas de contenção, diversas cidades foram inundadas pelas enchetes.
Foram 184 mortos, mais de 700 feridos e 25 ainda desaparecidos. Tamanha abrangência, é claro, se refletiu também no esporte.
Ainda está na memória a imagem dos dois maiores estádios do Estado submersos em uma lama amarronzada e fétida.
E, na onda de drama e solidariedade, atletas, árbitros, técnicos, dirigentes foram resgatistas e resgatados, vítima e heróis.
Aqui estão as atualizações, as lembranças e as consequências daquele maio assustador, em material especial produzido por Zero Hora. Clique nos títulos abaixo para acessar as reportagens.

Rodou o mundo, virou prêmio inclusive na Fifa a ação de Thiago Maia. O volante do Inter, nascido em Roraima, descoberto para o futebol em Santos e ex-morador do Rio de Janeiro e da França, entrou para sempre na história de Porto Alegre.
De roupa de mergulhador, a bordo de botes de amigos, ele deixou o conforto de sua casa ou a tranquilidade de obedecer as autoridades e sair da cidade para entrar na água e tirar pessoas ilhadas.
Uma delas, Evair Gomes Carneiro, 70 anos, foi resgatada em seus ombros, em uma filmagem que se espalhou nas redes sociais. Doze meses depois, a improvável amizade entre um jogador de futebol de alto nível e uma aposentada que ainda trabalha como artesã para reforçar a renda permanece intacta.

Thiago Maia voltou a jogar no Beira-Rio em 7 de julho graças ao trabalho de pessoas como Rodrigo Riegel. Ele foi um dos 114 funcionários do Inter a recuperar, reconstruir, replantar, repintar e recauchutar a casa colorada em tempo recorde.
O clube investiu boa parte de seu dinheiro nas obras para voltar a atuar diante da torcida o quanto antes. E esses profissionais viraram madrugadas limpando e deixando o estádio em condições.

A Arena demorou mais para voltar. O retorno do time ocorreu apenas em 1º de setembro. Também porque ficou mais tempo embaixo d'água. Paulo Rossi, diretor de operações da empresa que administra o estádio, comparou o que ocorreu com a casa gremista a um furacão.

Era uma boa definição para o entorno da Arena. Entre os bairros Farrapos e Humaitá, as casas ficaram submersas. Os bares, idem.
Lugares já negligenciados pelo poder público, com enormes dificuldades estruturais, perderam sua principal fonte de renda por quatro meses. Cicatrizes pessoais e comerciais difíceis de fechar.
Um ano depois, não há quem não tenha alguma história da enchente. Acima estão algumas delas.




