
— Tragam lenços, vamos chorar juntos!
Foi com esta frase que o novo técnico da Seleção Brasileira, Carlo Ancelotti, convidou os torcedores a comparecerem à sua despedida do futebol. Os milanistas foram ao San Siro dar adeus ao jogador e para ver a Seleção Brasileira, adversária do Milan naquele 19 de maio de 1992.
Meio-campo de destaque
Ancelotti foi um meio-campista de alto calibre. Campeão italiano ao lado de Falcão pela Roma, viveu no Milan as maiores glórias da carreira.
Apesar da restrição no número de estrangeiros na Europa à época, aquele Milan era visto como uma seleção. A imprensa brasileira tratou a partida como o maior desafio do Brasil sob o comando de Carlos Alberto Parreira.

O clube rossonero viveu anos de ouro entre o fim da década de 1980 e meados dos anos 1990, primeiro com Arrigo Sacchi como técnico e depois com Fabio Capello, comandante da equipe no amistoso contra a Seleção.
Confira o Deu Liga sobre Carlo Ancelotti
No período, o Milan conquistou três títulos europeus, dois mundiais e cinco italianos. As principais estrelas do time eram os holandeses Ruud Gullit, Marco van Basten e Frank Rijkaard. Grandes figuras do futebol italiano como Franco Baresi, Paolo Maldini, Roberto Donadoni e Ancelotti formavam um time que naquela temporada foi invencível no calcio.
Como foi a vitória brasileira
O amistoso foi disputado entre a penúltima e a última rodadas do Campeonato Italiano. Invicto, o Milan era campeão nacional por antecipação e se deu ao luxo de fazer uma festa para a despedida de Ancelotti.
Em campo, a Seleção Brasileira sofreu, mas resistiu. A defesa, graças a Taffarel, segurou o ataque italiano. O gol da vitória de 1 a 0 do Brasil foi marcado por Careca.
Escalação
Parreira escalou o time com: Taffarel; Jorginho, Mozer, Aldair e Branco; Mauro Silva, Dunga, Luis Henrique e Valdo; Bebeto e Valdeir. Careca entrou no segundo tempo. Dos 12 jogadores utilizados, sete fizeram parte da campanha do tetracampeonato em 1994.
Cotação
A cotação de Zero Hora elegeu Taffarel como o melhor em campo. O goleiro recebeu nota 9 com o seguinte conceito: foi o melhor do Brasil. Mostrou excelente senso de colocação e tranquilidade nas defesas.
O técnico brasileiro se mostrou satisfeito com a atuação.
— Acho que conseguimos mostrar que estamos no caminho certo — analisou.

Carreira vitoriosa e relação com o Brasil
Não foi a primeira vez que a Seleção cruzou o caminho de Ancelotti. Três anos antes, o Brasil realizou outro amistoso diante do Milan, já com Ancelotti, em um apertado estádio em Monza. Outra vez o técnico brasileiro saiu satisfeito de campo, desta vez o placar apontou empate em 0 a 0.
Depois da partida, Sebastião Lazaroni anunciou sua intenção de mudar o esquema de sua equipe. A partir dali, escalou a Seleção com três zagueiros. Seu time seria eliminado pela Argentina nas oitavas finais da Copa do Mundo de 1990.
Os argentinos chegaram até à final do Mundial. Nas semis, eliminaram, nos pênaltis, a Itália, de Carlo Ancelotti.
O novo técnico da Seleção ficou no banco de reservas contra os argentinos. No torneio, ele disputou as partidas Áustria, Irlanda e Inglaterra. Também integrou o elenco na Copa de 1986, mas não entrou em campo.
Carreira como jogador
Ancelotti iniciou a carreira de jogador no Parma. Era um meio-campista de chegada na área adversária. Em 1979, se transferiu para a Roma, onde foi companheiro de Falcão e vice-campeão europeu.
Seu apogeu foi com a camisa do Milan. Ele disputou cinco temporadas pelo clube de Milão. Tempo suficiente para conquistar 10 títulos.
Títulos de Ancelotti como jogador
- Mundial de clubes — 1989, 1990
- Supercopa Europeia — 1989, 1990
- Liga dos Campeões — 1988/89, 1989/90
- Campeonato Italiano — 1982/83, 1987/88, 1991/92
- Supercopa da Itália — 1988/89
- Copa Itália — 1979/80, 1980/81, 1983/84, 1985/86
Mais de três décadas depois de pendurar as chuteiras, Ancelotti reencontra a Seleção Brasileira, agora para ser o técnico responsável pela busca do hexa.


