
É a Copa do Mundo e tchau! Esse é o projeto de Tite à frente da Seleção Brasileira. Técnico da equipe desde 2016, o treinador revelou que seu trabalho terminará quando a campanha do Brasil no Catar chegar ao fim. Na melhor das hipóteses, sua despedida tem dia e local marcados. Se chegar à final, o treinador se despedirá em Lusail, em 18 de dezembro. Mas a ciclo pode ser abreviado em alguns dias em caso eliminação em alguma fase anterior.
A revelação do técnico permite à CBF ter tempo para pensar em um substituto, ação que não tem sido comum na entidade. Em um quadro amplo dos últimos oito Mundiais, a procura por um treinador ocorreu baseada no desempenho na Copa do Mundo.
A resposta ao fracasso de Sebastião Lazoroni em 1990 foi inovar e reformular com Paulo Roberto Falcão. Depois do tetra em 1994, Zagallo deu continuidade ao trabalho de Carlos Alberto Parreira. A derrota na final de 1998 trouxe Vanderlei Luxemburgo por ser o principal técnico brasileiro à época.
Depois do penta, em 2002, Felipão saiu para entrada de Parreira, mantendo um campeão mundial no cargo. A avaliação para a queda nas quartas de final em 2006 foi de que faltou um pulso mais firme no comando do elenco e na preparação da equipe. A solução foi trazer o linha dura Dunga.
A eliminação para a Holanda em 2010, com Neymar e Paulo Henrique Ganso preteridos na convocação do capitão do tetra, foi de, mais uma vez, renovar. O escolhido para a missão foi Mano Menezes. Dunga retornou após 2014 para tentar restabelecer o orgulho da Seleção após o 7 a 1 com Felipão.
Como ainda não há um perfil traçado para a busca por um substituto e Tite não tem em sua comissão técnica um profissional para dar continuidade ao seu trabalho, GZH apresenta cinco nomes com características diferentes que poderiam assumir a equipe a partir de 2023. Será a hora de um estrangeiro comandar o time canarinho?
Renato Portaluppi

O ex-técnico gremista sempre foi sincero sobre seus objetivos. Não escondia que desejava um dia comandar o Flamengo e que sonha com a Seleção. Antes de assumir o clube carioca no ano passado, Renato foi cogitado para substituir Tite, caso o treinador fosse demitido por Rogério Caboclo, então presidente da CBF.
Apesar dos bons números à frente do Rubro-Negro até ser demitido, com aproveitamento de 72,8%, a imagem que ficou de seu trabalho não foi das melhores. A falta de título pesou na avaliação. A consequência é que passou a ser um candidato com algum índice de rejeição, mas se a CBF quiser um brasileiro, Renato está entre os concorrentes mais fortes.
Cuca

Seu nome nunca esteve vinculado à Seleção, mas seus últimos dois trabalhos o candidatam ao cargo. Em 2020/21, conseguiu levar a modesta equipe do Santos à final da Libertadores, perdendo para o Palmeiras. No ano passado, conquistou quase todos os títulos possíveis. O Atlético-MG levou as taças do Campeonato Mineiro, do Brasileirão e da Copa do Brasil. Faltou a Libertadores.
Cuca é um dos técnicos em atividade mais vitoriosos do futebol brasileiro. Aos 58 anos, ainda é jovem para profissão, e, assim como Renato, é considerado um bom gestor de grupo, o que é considerado fundamental em um elenco estrelado como o da Seleção Brasileira.
Pep Guardiola

Guardiola nunca escondeu a sua admiração pela Seleção Brasileira. O time da Copa de 1982 é uma das equipes que mais admira. No ano passado, o treinador afirmou que o próximo passo de sua carreira deve ser comandar uma equipe nacional.
Em 2015, Daniel Alves, comandado pelo catalão no Barcelona, revelou que o treinador queria treinar o Brasil.
— Eu pago por ser linguarudo, mas não conto mentira. Antes da Copa, o Pep queria treinar a Seleção Brasileira e não quiseram. O Pep falou que queria fazer a gente campeão do mundo e tinha toda a estratégia, e não quiseram. Falaram que não sabiam se o Brasil iria aceitar. Se não aceitamos o melhor do mundo, que pode nos fazer melhores, você não se preocupa com a Seleção Brasileira — disse.
Está aí a chance de juntar a necessidade e o desejo. O contrato de Guardiola com o Manchester City termina no fim da próxima temporada europeia. Para trazer o treinador, a CBF terá que desembolsar bastante para pagar o salário e a rescisão com o clube inglês.
Abel Ferreira

Um colecionador de títulos. Isso é o que Abel Ferreira se tornou no Palmeiras. Com as taças da Copa do Brasil e duas da Libertadores no currículo, o português realiza um trabalho longo (para os padrões brasileiros) e sólido no clube paulista.
Caso, após a saída de Tite, os dirigentes busquem um técnico vitorioso e mais pragmático, Abel pode ser uma boa opção.
Jorge Jesus

Depois de algum tempo, um time voltou a encantar no futebol brasileiro. A proeza foi alcançada pelo Flamengo comandado por Jorge Jesus em 2019. Aquela imagem ficou no imaginário dos amantes do jogo bonito, e o português passou a ser vinculado a clubes brasileiros com alguma constância. Flamengo, Corinthians e Atlético-MG fizeram contato quando precisaram de um treinador.
Caso a cúpula da CBF queira um profissional para implementar um estilo mais ofensivo, o nome do português pode ser cogitado. Antes de ser demitido pelo Benfica no final do ano passado, Jesus falou sobre essa possibilidade, até então bem mais remota do que a partir do final deste ano.
— Hoje sou eu que escolho quem quero treinar. Quando comecei a carreira não era tão bem assim. A seleção do Brasil nunca foi treinada por um estrangeiro. Penso que também não vou ser eu. Agora, qualquer treinador do mundo gostaria de treinar a seleção do Brasil — declarou em novembro.





