
O Gre-Nal do último domingo (11), no Beira-Rio, válido pela última rodada da primeira fase do Gauchão, foi emblemático para as mulheres. Denúncias de assédio e agressão marcaram o clássico, se espalharam pelo país e trouxeram à tona um assunto que há tempos estava adormecido: o tratamento que elas recebem nos ambientes de futebol.
Foi nesse contexto que as Gurias do Grêmio, grupo de gremistas que usa o Facebook para promover encontros e discussões, decidiu criar uma campanha pedindo respeito às torcedoras nos estádios. Uma das integrantes do grupo, Thais Odorissi Oliveira, explica que a ideia surgiu logo após o clássico 413, quando elas se sentiram incomodadas com todos os relatos de posturas desrespeitosas em relação às mulheres:
— Para a gente que está sempre frequentando estádios, bares e torcidas, o assunto não é novidade, e afeta muito mais mulheres do que a gente fica sabendo. Depois do Gre-Nal, conversamos e decidimos fazer a campanha. Passamos a semana inteira planejando e e lançamos nesta sexta, para que ela pudesse chegar forte no dia do Gre-Nal.
Apesar de torcerem para o Grêmio, elas não queriam manter a ideia restrita a apenas um clube. Então falaram com meninas do Inter, Palmeiras, São Paulo, Corinthians e vários outros times do país para que elas ajudassem a disseminar a hashtag. E foi pela mobilização delas que o assunto chegou, na noite desta sexta-feira, a ser um dos mais comentados no Twitter, com mais de 3.300 tuítes.
E elas não vão parar por aí: no próximo domingo (18) e na quarta-feira (21), quando acontecem os Gre-Nais das quartas, as meninas levarão à Arena e ao Beira-Rio faixas e cartazes pedindo aquilo que já deveria ser regra nos estádios: #deixaelatorcer.
Veja algumas das mensagens com a hashtag:
Leia o manifesto das torcedoras que lançaram a campanha:
"Gurias,
Independente do lado, gremistas ou coloradas, muitas de nós saíram com um pouco mais de medo, raiva e tristeza do último GreNal. Três dias depois do Dia da Mulher – e com campanha do Inter durante o jogo – casos de machismo, violência e assédio vieram à tona.
A Renata sofreu trabalhando. As gremistas que estavam em um camarote do Beira-Rio sofreram torcendo. A Kelly Matos sofreu indo pro estádio. Fora os tantos outros casos que não chegaram na mídia ou que a gente, que frequenta os jogos, já tem como naturais.
Em 2018, é inadmissível que a gente ainda precise aguentar assédio, violência, ameaça, 'piadinha' pra se expressar como torcedora – no estádio, sim, mas também entre amigos, no bar, na rua, na internet.
Nós, torcedoras da dupla, queremos agir e para isso precisamos estar unidas – vai além de qualquer rivalidade.
Em apoio às mulheres que sofreram no domingo passado, queremos começar a falar, antes do próximo GreNal. Por isso, algumas gurias pensaram a hashtag #deixaelatorcer, pra unir relatos de experiências como torcedoras afetadas pelo machismo.
A ideia é publicar em todas as redes, contando o que passamos, o que sentimos, o que queremos.
Mas, pra que funcione e sejamos ouvidas, precisamos divulgar e falar com as mulheres que são "rivais" no campo, mas nossas parceiras de luta.
PARA DOMINGO, VAMOS LEVAR CARTAZES PRA ARENA COM A HASHTAG!
Os estádios são nossos também"

