
Adrián Martínez, o artilheiro da Libertadores 2025 com seis gols, teve de percorrer caminhos sinuosos até se tornar o destaque da principal competição de clubes da América.
Antes de receber a alcunha "Maravilla Martínez", como é chamado no El Cilindro, o camisa 9 foi pedreiro, catador de lixo e ainda teve de passar seis meses preso por um crime que não cometeu.
Decisivo contra o Peñarol
Na noite de terça-feira (19), Maravilla Martínez marcou duas vezes no 3 a 1 do Racing sobre o Peñarol, que garantiu a Academia nas quartas de final da Copa.
Com 17 bolas nas redes, Martínez se tornou o maior artilheiro do Racing — clube de 122 anos de história — em competições internacionais.
Bater um pênalti decisivo com o El Cilindro lotado pelas oitavas de final da Libertadores não é amedontrador para quem já passou pelo que Martínez passou. A seguir, explicamos o porquê.

A trajetória
Adrián Emmanuel Martínez, canhoto de 1m81cm, nasceu em Campana, cidade localizada a 80 quilômetros de Buenos Aires.
Com 17 anos, ainda dividia-se entre a liga amadora e o trabalho como catador de lixo. Foi quando sofreu um acidente de carro e acabou demitido. A alternativa que encontrou para sustentar sua família foi virar auxiliar de pedreiro ao lado de seu tio.

Briga e tiroteio
Para piorar, seu irmão levou três tiros em uma briga em 2014. E, enquanto o jogador acompanhava seu familiar no hospital, um grupo de pessoas ateou fogo na casa do agressor. Os donos da residência prestaram queixa, e Martínez foi acusado. Depois de passar seis meses preso na Unidade 21 de Campana, foi provado que o atleta não estava entre as pessoas que cometeram o delito.
— Me acusaram de usar armas de guerra, de sequestro e por ter incendiado o local. Na cadeia, eles me alimentaram com um pão por dia — disse Martínez, que usou as imagens das câmeras de segurança do hospital em que o irmão foi internado para comprovar sua inocência.
Na cadeia, eles me alimentaram com um pão por dia
Reviravolta
A vida começou a sorrir para Martínez em 2015. O atacante foi aprovado em um teste para jogar pelo Defensores Unidos, time da quarta divisão argentina. Ficou lá até 2017, quando se transferiu para o Atlanta, da segunda divisão.
Em 2018, o tempo fechado se abriu de vez, com transferência para Sol de América, do Paraguai, para estrear numa primeira divisão. Lá, marcou 13 gols em 20 jogos e ajudou o clube a terminar o Clausura na quarta posição, despertando o interesse do Libertad.
— Sabia que Deus tinha um propósito para a minha vida, porque não é possível que eu teria tanta má sorte — desabafou o jogador aos portais paraguaios.

Sabia que Deus tinha um propósito para a minha vida, porque não é possível que eu teria tanta má sorte
Em busca da glória eterna
Depois da passagem pelo Libertad, teve rápidas aparições por Coritiba e Central Córdoba. Em 2024, chegou ao Racing, em que virou ídolo e "Maravilla" ao ser artilheiro no título da Sul-Americana — o primeiro troféu internacional do clube após 36 anos se amargura, com direito até a falência neste período.
Agora, Martínez e o Racing miram o topo da América. E ninguém duvida de mais um título, ainda mais depois do que Maravilla e a Academia superaram.



