
O déficit do Inter apresentado pela direção aos conselheiros ultrapassa em R$ 40 milhões o que era previsto para essa altura do ano. O total está em R$ 160 milhões, impulsionado por dois fatores principais: a falta de patrocínio máster e o pouco valor arrecadado em venda de jogadores.
A queda do mercado das bets, depois encerrada definitivamente na Medida Provisória do governo que proibiu a atividade no país, já sinalizava a dificuldade em obter um patrocinador principal para estampar na camiseta. Dos R$ 50 milhões previstos para arrecadar com patrocinadores, foram obtidos cerca de R$ 20,7 milhões.
O tombo é igualmente grande na venda de jogadores. Ao longo de 2026, a direção previa somar R$ 204,9 milhões com vendas de direitos federativos e econômicos. Mas após o final da janela europeia e da Arábia Saudita, foram arrecadados R$ 65,1 milhões relacionados a receitas com atletas. Esses quase R$ 140 milhões teriam que ser alcançados até 31 de dezembro, mas a situação atual deixa tudo muito difícil.
Segundo o presidente Alessandro Barcellos, a janela movimentou menos dinheiro em todo o mundo, atingindo também o Inter. Essa pouca movimentação do mercado pegou os colorados de um jeito ainda pior por ter pouco material para oferecer.
Negociáveis do elenco
No grupo atual, dois jogadores são os mais "negociáveis". O lateral e ala Bernabei, adquirido em janeiro de 2025 por R$ 35 milhões, e o atacante Carbonero, comprado por R$ 22 milhões (e ainda não quitado) estão entre os principais ativos.
Por Carbonero, o Inter recebeu uma sondagem do Krasnodar, da Rússia. O valor estaria próximo a R$ 30 milhões, mas a direção esperava chegar perto de R$ 50 milhões. O negócio não evoluiu. Por Bernabei ainda não houve proposta, mas especula-se que clubes brasileiros, como Palmeiras, tenha interesse no jogador.
Outros nomes também poderiam despertar interesse, como Thiago Maia. Só que o volante tem contrato encerrando no final do ano e sairá sem contrapartidas. Rochet, embora não fosse render o suficiente para sanar a dívida, também sairá livre em dezembro.
É aí que reside outro temor de um eventual rebaixamento. Somada à crise financeira pelo fim das bets, a venda de jogadores certamente será impactada negativamente. Os atletas perderão valor de mercado e a necessidade de recuperar o caixa fará o Inter aceitar propostas menores. E até negociar jovens com algum futuro, como João Victor e João Bezerra.
A salvação no final do ano é fundamental também nesse aspecto.
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