
A depender do que ocorrer nesta quinta-feira (3), o Gre-Nal 454 pode ser o último jogo de Paulo Pezzolano no comando do Inter. Mas também pode ser o do recomeço. O técnico busca se reencontrar dentro do momento de maior instabilidade desde que chegou ao clube, no início da temporada. O clássico das 20h, pelas quartas de final da Copa do Brasil, será um balizador para sua sequência, ou até mesmo para a interrupção do trabalho.
Pezzolano vive uma situação diferente para um treinador. Fazia muito tempo que um técnico não tinha tanta confiança de torcida e direção. Mesmo tendo perdido o Gauchão após levar 3 a 0 no jogo de ida da decisão contra o Grêmio e convivido durante grande parte do Brasileirão com a equipe no Z-4, o uruguaio consegue uma blindagem. O entendimento geral é de que a situação seria pior se ele não estivesse aqui.
A verdade é que Pezzolano tem sido um parceiro do Inter desde o primeiro dia. Isso ficou claro quando fretou, por conta própria, um avião para cumprir a agenda de apresentação no Beira-Rio. E, nesses nove meses, nunca fez uma reclamação pública sobre estrutura, jogadores, salários atrasados ou contratações. Pelo contrário, tem assumido responsabilidades que não são suas, evita dar desculpas por maus resultados e trata de manter a postura.
Os relatos internos são favoráveis. Todos garantem que ele tem total controle sobre o grupo. Algumas atitudes demonstram isso. Um exemplo: sob sua gestão, Alan Patrick foi para o banco. E voltou para o time titular. E, de novo, para o banco. E voltou ao time titular. E, em nenhuma dessas ocasiões, houve reclamação. Aliás, o que se viu foi o oposto. O capitão começou o Gre-Nal no banco e, na partida seguinte, foi o melhor do time em Salvador.
É arrojado taticamente. Talvez por sua juventude, tem 42 anos, mexe bastante na equipe, inclusive sem alterar as peças, apenas movimentando-as em campo. Há quem considere que exagera nessas mudanças. Mas o fato é que o time está em 18º no Brasileirão, e algo precisa ser feito.
Empate contra o Remo abalou Pezzolano
A única situação que mudou nesses últimos dias foi o empate com o Remo. Aquele gol de falta no último lance da partida abalou o treinador. Foi uma das únicas vezes em que apareceu visivelmente abatido na entrevista coletiva. Até na derrota para o Grêmio demonstrou mais reação.
O trabalho agora é de reencontrar o caminho. Publicamente, o presidente Alessandro Barcellos defendeu o técnico:
— Temos total confiança. Pezzolano tem conseguido organizar uma equipe competitiva, com ajustes sendo feitos em torno dos adversários e das alternativas que tem à disposição. Acreditamos na classificação, mas, independentemente disso, ele é nosso treinador e vai concluir esta temporada.
No vestiário da Fonte Nova, após a derrota para o Bahia, reforçou com o grupo a importância do Gre-Nal, mas ressaltou que nada adiantava se classificar e depois não ganhar do Santos pelo Brasileirão. O Campeonato Brasileiro é a prioridade absoluta.
Quer dizer, seria. Porque agora tem o Gre-Nal. E um Gre-Nal pode mudar tanta coisa neste Estado. Inclusive o futuro de um técnico.
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