
Quando Carbonero marcou o segundo gol do Inter, que acabou sendo o da vitória sobre a Chapecoense, na Arena Condá, Vitinho, que àquela altura estava na ala esquerda, atirou-se no chão. Faltava quase meia hora para terminar a partida, mas ali o time havia retomado a vantagem em um jogo fundamental na luta contra o rebaixamento.
Ainda que esteja no Z-4 após 27 rodadas, a equipe colorada voltava a vencer após quatro meses, um período que teve 10 partidas do Brasileirão. Foi o encerramento, positivo, de uma semana que começou com uma tremenda pressão, passou por encontro de torcedores com profissionais e mudou de ares quando foi anunciado o dinheiro para pagar os vencimentos atrasados. Três pontos que renovam a esperança.
É que, até a noite de sexta (11), o ambiente era quase de conformismo. Não houve apoio nem protesto na chegada da delegação, o que contrasta com a presença de colorados na região, basicamente colonizada por gaúchos. Era um jeitão de fim de festa.
Mas veio o anúncio do pagamento dos atrasados. Em um acordo com o empresário Delcir Sonda costurado por Roberto Melo, pré-candidato à presidência do clube, foram arrecadados R$ 20 milhões. O torcedor Sonda havia pago o valor em aberto (cerca de R$ 14 milhões) e deixado um extra para os próximos meses.
Por mais que o técnico Paulo Pezzolano e o lateral Bruno Gomes tenham garantido que estavam focados no jogo e não pensando no dinheiro, a notícia do pagamento trouxe um alívio. E, todos sabem no futebol, permitem uma mudança de cenário, de cobranças e de desempenho.
Pezzolano, aliás, concedeu uma longa entrevista. Falou em tom de desabafo sobre a semana, disse que lamentou não ter conversado antes com a torcida, criticou algumas análises rasas sobre os resultados, mas reconheceu que, sem resultados, não há qualquer tipo de análise.
— Foi uma vitória muito importante para nós, tinha que ter chegado antes, mas que bom que veio. Por sorte hoje (sábado, 12) tivemos o resultado, estou muito feliz pelos jogadores. Mas já estou pensando no próximo jogo, precisamos vencer de novo. Por isso, não dá alívio. Ainda estamos com muitas dívidas, sou um cara pressionado pelo que quero conseguir. Por isso minha carreira avançou tão rapidamente. A minha pressão é a maior que tenho, quero que minha família e meus filhos vejam um pai vencedor — disse o treinador, antes de finalizar com uma frase marcante:
— A felicidade é muito curta porque estamos em um lugar que não queremos.
Elogios de Pezzolano
O treinador fez questão de citar duas pessoas que sofreram na última semana. Matheus Cunha salvou o time quando o jogo ainda estava 1 a 1 e recebeu elogios do treinador. O outro foi Abel Braga:
— O pior para mim é ver Abel sofrer. O presidente, o Fabinho Soldado (executivo) estão trabalhando muito, mas Abel, com a idade dele, vai todos os dias e nos ajuda. Ele é muito colorado. Ele ama o Inter.
O agradecimento a Abel tem uma explicação. O coordenador foi o responsável por mantê-lo quando parte da direção e de conselheiros informais queria sua saída. Inclusive, quando perguntado sobre notícias de possível procura de outros técnicos por parte de dirigentes, Pezzolano respondeu:
— Não sei se é verdade se procuraram ou não. Mas não fico nervoso se for. É o certo. Não se pode procurar um novo técnico só depois de demitir.
Enquanto isso, presente na sala de imprensa, o presidente Alessandro Barcellos balançava a cabeça negativamente, sugerindo não ter feito contato com qualquer profissional.
Do lado de fora, os jogadores saíam do vestiário aliviados pela vitória. O Inter, enfim, voltou a sentir esse gostinho. Que precisa ser apagado a partir de segunda-feira (14). Porque só uma sequência trará uma situação melhor. E no próximo sábado (19), o adversário é o São Paulo, no Morumbi.
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