Jogadores campeões, seja do inter-séries ou da Libertadores, criam laços difíceis de serem desatados. O vínculo criado em 16 de agosto de 2006 une há 20 anos aquele grupo vencedor da América pelo Inter. Três deles se reencontraram na noite deste domingo (16) no Museu do Inter para relembrar o empate em 2 a 2 com o São Paulo, em Jornada Especial da Rádio Gaúcha.
Abel Braga chegou com seu uniforme de dirigente, camisa social e pulôver sobre os ombros. Autografou uma camisa. Pousou para fotos. Autografou o ingresso daquela partida entregue por um colorado. Antes de cumprimentar Tinga e iniciar a transmissão.
A experiência de rever a partida era nova para Tinga. Autor do segundo colorado, nunca assistiu a íntegra da partida.
— Vou cornetear a mim mesmo — brincou.
As décadas em pé cobraram um custo às costas do atual diretor colorado. Ele se apoia bem na cadeira para sentar. Se posiciona ao lado de José Alberto Andrade, que junto com o narrador Luciano Périco, está na equipe que reconta a história daquele jogo.
Zé estava em campo pela Rádio Gaúcha naquela final. Levou consigo o seu bloquinho de notas usado naquele dia. Abel esticou o braço, pegou o objeto histórico e olhou com atenção ao bloquinho.
— Nem sempre eu guardo as anotações, mas essas eu tinha guardadas em casa — conta Zé.
A semana foi de muitos eventos para relembrar o título da Libertadores.
— Estamos curtindo muito. Tínhamos convicção do que representava a conquista — disse Abel.
Enquanto Abel falava sobre aquele jogo, Fabinho Soldado, diretor executivo do Inter, chegou ao local. Passeou pelo Museu. Atendeu a telefonemas — a janela de transferências segue aberta e o Inter busca três jogadores.
Em certo momento, se deparou com um mural com a foto de 104 jogadores que marcaram a história do Inter. Do time de 2006, encontrou a de Clemer, Fernandão, Sobis, Fabiano Eller, Renteria, Alex, Gabiru, Andrezinho, entre outros que participaram da temporada 2006.
— Até o Perdigão?! — brincou ao falar com um funcionário do Museu, também sugeriu a colocação da sua 3x4 no mural.
Com outro compromisso, Abel deixou o local quando a transmissão do jogo em si estava prestes a começar. Foi substituído por Fabinho. Antes de sair de cena, perguntou se Tinga estará presente no jogo desta segunda-feira (17) contra o Remo. Recebeu resposta positiva.
Na hora em que reviu o seu gol, Tinga abriu um sorrisão, aos poucos seus olhos foram umedecendo. O gol do título.
Acabada a transmissão, volta-se para o presente onde os três, Abel, Tinga e Fabinho, em diferentes funções, trabalham para o Inter voltar a repetir que conquistas como aquelas de 2006 o quanto antes.
Aos poucos, a voz de Tinga embarga. Ela vai desaparecendo enquanto fala sobre o gol e sua relação com o clube — ele busca fundos para revitalizar o CT Parque Gigante. As lágrimas derrapam pelo rosto dele e o de Fabinho.
— Me emociono muito mais pelo o que vivencio hoje, com esse movimento que o torcedor tem abraçado. Quero que seja o único clube do mundo em que o torcedor ergue o seu estádio e o seu CT.
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