
É impossível não citar a Copa do Brasil de 1992 depois de o sorteio da CBF ter apontado Gre-Nal em umas quartas de final, exatamente como há 34 anos. Naquela edição, os rivais gaúchos se encontraram em dois jogos, com mando invertido na comparação ao atual.
O primeiro jogo no Olímpico ficou em 1 a 1, mesmo placar do segundo, no Beira-Rio. O Inter avançou nos pênaltis, com 3 a 0. Um dos titulares colorados naqueles confrontos foi o zagueiro Pinga, cuja história no clássico era marcada, até então, por uma lesão gravíssima sofrida justamente em um jogo contra o Grêmio cinco anos antes. Ele conversou com ZH.
Como foram aquelas semanas pré-Gre-Nal em 1992?
Estávamos muito motivados para o jogo contra o Corinthians por causa do Gérson (que havia contraído HIV, o vírus da Aids, à época um tabu). Falaram muitas coisas, então quisemos dar uma resposta. A nossa força era total. Como fizemos 4 a 0 lá, o jogo daqui foi protocolar. Mantivemos o foco para o Gre-Nal, mas ali a situação era diferente.
Como assim?
Ah, é que um Gre-Nal não tem como ficar apontando favorito. Os dois times estavam motivados, os jogos foram muito parelhos, tanto que acabaram ambos 1 a 1. O Fernández brilhou nos pênaltis, pegou dois. Mas foram clássicos especiais.
Teve algo diferente na preparação?
O mais interessante foi que a esposa do professor Antônio Lopes, dona Elza, fez um trabalho fundamental. Ela organizou uma programação com nossas famílias. Chamava nossas esposas, nossos filhos. E antes do jogo, levou todo mundo ao Beira-Rio, pudemos nos ver. Encontrar nossas famílias nos tranquilizou, porque sabíamos que todos estavam em segurança e estariam na arquibancada. É uma motivação a mais. E em campo, nos treinos, o professor sabia tudo, falava sobre cada um dos jogadores deles. Estávamos muito bem preparados.
O que espera para o Gre-Nal da Copa do Brasil?
Não consigo dizer quem está melhor, não vejo favoritismo para ninguém. Nem a ponto de dizer que o Inter precisa ganhar no Beira-Rio, porque pode muito bem ir na Arena e se sair bem, e o contrário. Se ganhar, melhor, pode ter um pouco de tranquilidade. Mas mesmo se perder, não está fora. É um jogo diferente. E em Gre-Nal não tem amistoso.
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