
Vinte anos depois, os ecos de uma noite sem fim ainda ressoam pelas bandas da Padre Cacique. E esse capítulo vitorioso na história do Inter ganhou mais uma página neste sábado (15). Desde o início da tarde — e sem hora para acabar — o Churrasco do Tinga comemorou os 20 anos do título da primeira Libertadores do Colorado, mas sem se descuidar dos próximos passos para o futuro do clube.
Logo na entrada da quadra da Imperadores do Samba, local onde o evento foi realizado, já era possível ver o objeto que, durante 97 anos, foi o sonho de consumo dos colorados. A taça da Libertadores, que foi assegurada de vez às 23h53min daquela hoje distante quarta-feira, estava no centro das mesas.
Ao redor delas, a banda dava o tom da festa, iniciada às 14h. Nos intervalos, um DJ mantinha os 1,5 mil convidados animados. Tudo isso no meio da fumaça característica dos churrascos que antecedem as tardes e noites de futebol nas imediações do Beira-Rio. Destaque, claro, para os costelões no fogo de chão.

Inicialmente, o evento estava previsto para o Parque Marinha do Brasil, ponto de encontro tradicional dos churrascos colorados. No entanto, a previsão inicial de chuva alterou o local do evento. Isso não se confirmou, no entanto, e os colorados foram brindados com uma ensolarada tarde de sábado.
"Passado e futuro"
Organizador do evento, e autor do gol do empate em 2 a 2 que garantiu o título contra o São Paulo no Beira-Rio em 16 de agosto de 2006, Tinga citou a importância de relembrar as conquistas. E também destacou a importância de seguir comemorando:
— Tem que celebrar, porque no futebol é muito difícil ganhar. Vinte anos atrás, a gente ganhou. Quando eu fui campeão, não pude comemorar. Fui embora na outra madrugada (Tinga estava negociado para o futebol europeu).

O evento foi uma verdadeira celebração de "passado", mas mirando um legado no futuro. Ao menos esse foi o tom que o próprio Tinga fez questão de ressaltar em uma breve conversa com a reportagem, enquanto a carne ainda estava no fogo:
— A gente sempre fala. Vive o passado, mas pensa no futuro. Estamos aproveitando essa data festiva para um projeto que estamos encabeçando — frisou.
A fala diz respeito, especialmente, ao projeto lançado por Tinga nesta semana. A campanha "23h53min", que remete ao horário do fim da partida contra o São Paulo, em 16 de agosto de 2006, tem como objetivo arrecadar fundos para um novo CT.
— Estamos fazendo essa campanha para alcançar todos os colorados, para que eles possam fazer parte da história do clube. Tu não faz nada sem dinheiro, principalmente no futebol. Estamos fazendo o mais difícil, que é buscar o dinheiro. Conseguir essa verba, cuidando de cada centavo do torcedor, pra que a gente busque o legado incrível, que é ser o único clube que fez o estádio e o CT (com o apoio dos torcedores) — frisou.
Mais cedo, jogadores do atual elenco também marcaram presença. Bernabei e Bruno Henrique foram dois dos atletas do Inter que compareceram, e conversaram com a reportagem da Rádio Gaúcha.
Presença dos ídolos

Outros ídolos também marcaram presença no evento. O atacante Iarley, mesmo com a perna imobilizada por uma lesão recente, fez questão de atender aos pedidos dos fãs. E também falou sobre a conquista:
— Foram momentos muito marcantes. Disputas marcantes, viradas. Um grupo muito unido. A primeira ninguém esquece. Eu comemoro todo dia. Muito feliz, muito contente em estar aqui relembrando, ainda mais junto com várias pessoas que fizeram parte daquele momento — afirmou.
Por volta das 15h, outro protagonista chegou na quadra da Imperadores do Samba. Rafael Sobis certamente enfrentou marcação mais cerrada que na noite de 9 de agosto, quando marcou os dois gols que deram a vantagem ao Inter no Morumbi para decidir com margem em Porto Alegre uma semana depois.
Distribuiu autógrafos, posou para muitas fotos, e atendeu pacientemente todos os colorados que paravam para reverenciá-lo. Abraçou e deu risadas ao lado do companheiro de elenco em 2006. Entre uma "selfie" e outra, relembrou a conquista:

— Vinte anos, né? Muito louco isso. E a torcida colorada tão carente de títulos. Conversei com o Abel, Fernando Carvalho, e outros jogadores. Tanta saudade, e na esperança que aconteça logo. Eu torço muito para que os jogadores de agora tenham a oportunidade de ganhar um título pelo Inter. Muda a vida e muda a carreira — analisou.
E brincou:
— Gosto tanto do Inter e do Tinga, que estou num pagode — destacou ele, fã assumido de outro estilo musical, o rock.
Eram passado das 16h, e os pratos com pães de alho, salsichões, seguiam saindo do local destinado às churrasqueiras rumo às mãos ágeis da torcida colorada. A música seguia, ou das caixas de som, ou dos instrumentos musicais da banda.
De acordo com o próprio Tinga, a festa seguiria até a manhã do dia seguinte. Sem hora para acabar. Tal qual a noite sem fim de 16 de agosto. Que, para a torcida colorada, até hoje não se findou.
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