
Nada foi mais surpreendente no Gre-Nal 453 do que a escalação do Inter ter Alan Patrick no banco. Dono de nove gols e cinco assistências contra o Grêmio, o camisa 10, mesmo que longe do melhor momento, ainda é o maior carrasco do rival no grupo colorado.
Por isso, sua ausência entre os titulares foi mais chamativa. Com informações que surgiram ao longo do dia sobre o acordo entre atletas, comissão técnica e dirigentes para que não houvesse o regime de concentração antes da partida, aumentou a especulação de que a escolha de Paulo Pezzolano tivesse a ver com algo além do que opção tática.
Nos microfones e fora dele, as partes envolvidas garantem que foi uma escolha exclusiva do campo. No entendimento do treinador colorado, seria preciso dar mais vitalidade ao meio-campo para conter o que ele considera ser a maior arma do Grêmio, a recuperação e o lançamento rápido para o ataque, o que em futebol costuma ser chamado de transição.
Estratégia no Gre-Nal
A ideia de usar Calebe aberto pela direita seria justamente para dar peso aos lados do campo e explorar as beiradas, reduzindo o risco de perder a posse e dar o contragolpe ao adversário pelo centro do campo.
Essa opção se deu também porque Pezzolano queria um centroavante. Seria uma forma de dar profundidade ao time. Como Sanabria ainda não está nas condições ideais e Alerrandro está basicamente inviabilizado, a alternativa foi tirar Vitinho da ala e centralizá-lo no ataque.
Assim, não havia lugar para Alan Patrick.
Polêmica da concentração
Isso seria facilmente compreendido não fosse a polêmica pré-jogo. Os atletas do Inter fizeram uma reunião e, em acordo com comissão técnica e direção, não foram para o hotel que serviria de concentração na véspera do Gre-Nal.
Com mais de um mês de atrasos nos direitos de imagem, encontraram nesse movimento uma forma de cobrar os valores. Garantiram que estariam a pleno, que nada afetaria o ambiente, mas que ficariam em suas casas na quarta. Foi uma reunião entre todos os jogadores e a maioria decidiu assim.
Alan Patrick foi contra. Demonstrou que gostaria de ter ido concentrar, mas não teve poder de convencimento aos companheiros. Mesmo sendo o capitão, foi voto vencido.
Duas interpretações para a ação dos atletas pipocaram no pós-jogo. Uma é de que todo mundo está no direito de cobrar o que se é devido. A outra é de que o movimento ter sido feito antes de um Gre-Nal aumentou a pressão para os próprios jogadores.
As críticas à direção já eram comuns e continuaram incisivas. Mas agora os atletas entraram na alça de mira também. Qualquer erro, mesmo os que já eram cometidos quando não havia atrasos, é visto com desconfiança.
Onde buscar dinheiro?
A direção corre atrás do dinheiro para pagar os atrasados. Os valores se aproximam de R$ 10 milhões. Só a venda de um jogador aliviaria os cofres.
Carbonero é o mais próximo, negociando com o Krasnodar. A prioridade total é resolver essa pendência, mesmo que o clube esteja na lista de transferban por falta de pagamento a outros clubes, mesmo que outras dívidas apareçam, o dinheiro, quando entrar, será destinado a quitar ao menos parte do devido aos atletas. E, de preferência, antes de terça-feira, em um movimento semelhante ao que fez o Grêmio antes do clássico de ida.
No centro disso, está o camisa 10. Ele tem uma semana para mostrar a Pezzolano que sua presença no time ainda pode ser decisiva. Pelo que se viu do primeiro e do segundo tempo, em um geral, somou pontos para voltar à equipe titular.
Resta ver como está a situação além do campo.
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