
A estátua de Abel Braga não será financiada por um torcedor do Inter. Ao menos não por um colorado de origem. Emocionado com o feito do atual diretor técnico no ano passado, o mineiro Cadu Guerra se prontificou a bancar a homenagem, que promete sensibilizar torcedores e o próprio ídolo. Conforme adiantou o ge.globo, a inauguração está prevista para agosto, quando o título da primeira Libertadores completa 20 anos.
Assim como Abelão, o empresário não nasceu torcedor do Inter. Se o ex-treinador virou um dos colorados mais identificados, Cadu aumenta o carinho pelos gaúchos apesar da paixão pelo Cruzeiro. Natural de Belo Horizonte, o presidente da empresa de assinatura de eletrônicos Allu virou patrocinador do clube no ano passado.
A parceria, que permitiu à empresa entrar em um novo mercado, o empolgou. Ela veio acompanhada de uma relação estreita com dirigentes e funcionários do Beira-Rio e da fascinação pela forma como os colorados expressam o amor pelo clube.
A felicidade pela interação dividiu espaço com o desconforto. Afinal, logo no primeiro ano de parceria, o Inter flertou com o rebaixamento até a última rodada do Brasileirão.
O milagre de Abelão
A tarde de 7 de dezembro de 2025 ainda povoa o imaginário de Cadu. No dia anterior, estava em Campinas com um grupo de empresários, alguns colorados, e os intimou a estar no Beira-Rio para torcer pelo milagre. O Inter precisava vencer e rezar por uma combinação de resultados para evitar a queda. A excitação deu lugar à incerteza. Os amigos titubearam. Cadu também.
— Sou otimista, mas no fundo estava com medo. Meu primeiro ano como patrocinador e logo com rebaixamento. Não seria legal. Nunca um time tinha entrado na última rodada em 18ª e escapou. Resolvi não ir por superstição — recorda.
Já no domingo, o voo de Cadu atrasou. Ao desembarcar, o jogo já tinha começado. No trajeto do aeroporto para casa, acompanhava pelo celular. Aos quatro minutos do segundo tempo, Mercado abriu o placar contra o Bragantino.
Era preciso que os resultados paralelos ajudassem. Alan Patrick ampliou e Carbonero fez o terceiro, que garantiu a permanência. Àquela altura, o Inter já contava com a sorte nas outras partidas. O empresário não se aguentou.
— Sai o gol do Carbonero e fico maluco no carro. O motorista e minha esposa não entenderam nada. Cheguei em casa e faltavam uns 10 a 15 minutos para o fim do jogo. Só depois você percebe que era algo histórico. Uma experiência de quase morte — diz Cadu.

Da promessa ao projeto
Aliviado, resolveu acompanhar a entrevista coletiva de Abelão, enquanto a televisão mostrava imagens da festa colorada regida pelo então treinador.
Nas redes sociais, a ideia da estátua ganhava forma. Cadu aderiu e resolveu tomar a frente. Ofereceu a primeira assinatura vitalícia da empresa ao ícone colorado e garantiu que, caso a direção não se opusesse, bancaria os custos.
— Fui repostar a vitória do Inter e todo mundo falava da estátua do Abel. Pensei que os torcedores tinham razão. Postei e disse que merecia. Ele fez algo bizarro. Além de ganhar e ser o ídolo, abandonou a aposentadoria para resgatar o time — valoriza.
— Pensei que realmente merecia e postei: "Sou o presidente da Allu, patrocinadora do Inter, e quero deixar uma mensagem. Se a diretoria estiver de acordo, me ofereço a financiar a construção". Virou uma loucura — lembra.
Não demorou para o post engajar e ser disseminado pelos torcedores. O diretor de negócios do Inter Alexandre Godoy foi um dos que viu e logo o procurou.
— Começou a pipocar um bando de mensagens. O pessoal brincando para contratar tal jogador ao Inter, colocar R$ 100 milhões no clube. Temos um grupo no WhatsApp sobre o Inter e o Godoy me mandou uma mensagem. Eu disse que tinha bombado e não era brincadeira que, se topassem, queríamos fazer — confirmou.
Feliz pela resposta, o dirigente prometeu levar o tema ao conselho de gestão. Logo veio a resposta positiva. Inter e empresário montaram um grupo de trabalho.
Escolheram o artista e tratam questões da produção e a data do lançamento, prevista para agosto. O desenho da obra foi aprovado por Abel e pelo clube. O empresário evita dar detalhes de como será a escultura.
— É um ano muito importante ao Inter, 20 anos da Libertadores e do Mundial. Temos uma imagem muito representativa, simbólica e ficou muito legal. Tem torcedor dando palpite nas redes sociais. Já vi uns bem criativos — despista.
O encontro com o ídolo
Cadu esteve em meados de maio em Porto Alegre. Aproveitou a estadia e compareceu ao CT Parque Gigante para conhecer Abel. Contou que torceu pelo Inter no Mundial em 2006 e se encantou pelo ex-técnico.
— Conheci o Abel há pouco. Ele é uma liderança bizarra. Contou como aceitou o convite, quando disseram que precisavam dele. Falou que precisava de cinco minutos e virou para a família e disse que iria a Porto Alegre dirigir o Inter — afirma.
— Tenho 32 anos. Já tive modo carreira com o Inter no videogame, assisti à Libertadores e à final do Mundial. Falei ao Abel que lembro a narração do Galvão e o Clemer com a bola para fazer a reposição e mandar longe — conta Cadu.
Antes da estátua no Beira-Rio, Abelão já recebeu uma no litoral norte do Rio Grande do Sul. No início do ano, um grupo de torcedores se juntou para oferecer uma obra ao ídolo em Atlântida.
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