
O uruguaio Paulo Pezzolano foi apresentado pelo Inter em 19 de dezembro do ano passado para tentar virar a página de um time quase rebaixado em 2025. Nos altos e baixos que a equipe tem apresentado nestes quase seis meses sob seu comando — mais baixos do que altos, diga-se de passagem —, ele até tem sido poupado da culpa pelo desempenho instável do Inter. O que se vê no Beira-Rio, nas redes sociais, nas enquetes e nas rodas de conversas entre colorados são críticas mais fervorosas a jogadores e à direção do clube, já marcada por insucessos anteriores.
Com Pezzolano como técnico, o Inter jogou 32 jogos (sendo 29 com o uruguaio na casamata), conquistou 16 vitórias, teve sete empates e nove derrotas, resultando em um aproveitamento foi de 57,2%. O time fez 53 gols e sofreu 36, uma média de mais de um gol por partida. Porém, são os resultados os fatores que mais impactam o humor do torcedor.
Apesar da melhor campanha no Gauchão, o Inter viu o rival levantar a taça dentro do Beira-Rio. O Colorado ainda chegou a conquistar a Recopa Gaúcha, contra o Brasil-Pel em maio, mas no Brasileirão terminou o primeiro semestre um ponto acima do Z-4, indicando que o maior foco do clube no restante da temporada deve ser a permanência na Série A.
Culpas e méritos
Após a derrota para o Bragantino, no último confronto antes da parada para a Copa, Pezzolano assumiu a responsabilidade e afirmou que o grupo de jogadores é bom e está confiante no trabalho realizado.
— É culpa minha. Eu tenho que seguir melhorando. Temos um elenco bom, temos um trabalho bom no dia a dia e, sem dúvida, eu tenho que seguir melhorando — disse.
Essa postura do treinador é elogiada nos bastidores e, por conta disso, existe a confiança de um melhor desempenho do time no segundo semestre.
— A gente está muito satisfeito com aquilo que o Paulo tem apresentado. É importante dizer isso porque, da minha parte e da parte do Abel, a gente nunca pensa em uma relação curta com o treinador. O futebol brasileiro é um triturador de treinadores e de profissionais da área, mas a nossa cabeça é estruturada para conseguir dar sequência ao trabalho — disse o diretor-executivo do Inter, Fabinho Soldado, em entrevista ao colunista de Zero Hora Leonardo Oliveira.
Pezzolano soube reconhecer fragilidades
O Inter passou um bom período do Brasileirão sem vencer em casa e, apesar de algumas atuações razoáveis fora, não as transformava em uma campanha consistente. Por isso, Pezzolano fez adaptações para tornar a equipe mais segura defensivamente, o que, para o jornalista e editor-executivo do Linha de Passe na ESPN, Vinícius Fernandes, foi fundamental para sofrer menos nos jogos:
— A identificação e o reconhecimento das fragilidades do Inter são o maior mérito de Pezzolano, que herdou a base de um elenco não rebaixado por um ponto. O clube quase caiu em 2025 pelos problemas defensivos, e os números mostram isso. O técnico foi inteligente ao montar o time em uma linha de cinco defensiva sem a bola. Quanto mais protegidos os frágeis goleiros colorados estiverem, melhor vai ser.
O técnico foi inteligente ao montar o time em uma linha de cinco defensiva sem a bola.
VINÍCIUS FERNANDES
Jornalista da ESPN
Para Vinícius Fernandes, não ter "soltado a mão" de Bernabei, mesmo quando todos sentenciavam o fim da passagem do jogador pelo clube, e a capacidade de se adaptar às poucas qualidades do elenco são virtudes de Pezzolano no Inter.
— Quando teve a dobradinha Matheus Bahia e Bernabei na esquerda, com Alerrandro e Carbonero associando por dentro, Pezzolano conseguiu mostrar uma versão competitiva, direta e realista do Inter. Não tem como ser muito melhor do que aquilo. O elenco é precário — afirma.
Alertas sobre erros de Pezzolano
O Gre-Nal vencido pelo Inter por 4 a 2 no Gauchão, no Beira-Rio, o empate em 1 a 1 com o Flamengo de Filipe Luís, pelo Brasileirão, no Maracanã, e a goleada de 4 a 1 sobre o Vasco são exemplos de atuações nas quais o técnico colorado foi elogiado. Já em determinadas derrotas, Nani Chemello, colunista identificada com o Inter em GZH, coloca os erros na conta do treinador:
— Pezzolano tem responsabilidade em relação a alguns jogos em que o Inter poderia ter tido um desempenho melhor, porque ele errou na escalação. Contra o Mirassol, tentou retomar o esquema com o Alan Patrick de titular e acabou não funcionando. Também acho que, às vezes, demora nas trocas. Ele vê que não está funcionando, mas demora para mexer.
Pezzolano tem responsabilidade em relação a alguns jogos em que o Inter poderia ter tido um desempenho melhor
NANI CHEMELLO
Colunista de GZH
Vinícius Fernandes também critica a retomada da utilização de Alan Patrick nas partidas mais recentes, como na vaga de Bernabei contra o Bragantino. Segundo o analista, o treinador foi na contramão das qualidades do próprio modelo.
— Bernabei é um dos poucos jogadores ofensivos capazes de pressionar o adversário, o que é essencial em um time reativo, que precisa roubar a bola para pegar o adversário desprevenido. Quando o argentino não estiver à disposição, Pezzolano precisa colocar outro atacante capaz de correr ou um volante a mais.
Contudo, ainda assim, Nani acredita que o Inter estaria pior se não fosse Pezzolano, pois o uruguaio faz um bom trabalho para o grupo que tem em mãos:
— O elenco é muito limitado em qualidade e também pelas características da equipe. Há poucos jogadores de velocidade e vigor físico. Existe o time titular, mas não há reservas com as mesmas características. Quando o Inter perde um jogador, Pezzolano precisa repor mudando um pouco a maneira de jogar por não ter atletas semelhantes. Nisso, a culpa é da direção.
Só contratações para salvar Pezzolano?
Como a direção colorada pode ajudar Pezzolano a fazer o Inter jogar mais? Para Nani, não há como fugir da busca por reforços, principalmente de jogadores que sejam mais parecidos com os titulares:
— E também evitar saídas importantes. Não dá para tirar de Pezzolano, por exemplo, o Bernabei, que hoje é o principal jogador de ataque dele.
Embora haja a visível necessidade de novas contratações, os dirigentes colorados deixam claro que não existe, no horizonte colorado, a possibilidade de reforços do tipo que desembarca no aeroporto e joga.
— O que nós temos para esta janela é usar a mesma criatividade que tivemos na última. O nosso orçamento é enxuto, tanto em relação à folha salarial quanto a contratações. Estamos realizando alguns contatos para atender ao Paulo Pezzolano e, havendo possibilidade, sanar carências que sabemos que existem. E só vai ser possível trazer atletas que também queiram muito estar aqui — explicou Fabinho Soldado.
Ou seja, para o restante da temporada, em que o Inter tem o desafio de permanecer na elite do futebol brasileiro, além de tentar avançar na Copa do Brasil, tudo indica que Pezzolano continuará seus esforços voltados a minimizar as limitações do time por meio do conhecimento que tem de vestiário.
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